Por Dentro do DI: Galgos aposta na interdisciplinaridade para inovar

Da esquerda para direita: Artur Pessoa, Eduardo Uchôa, ex-alunos do DI, Marcus Poggi e Dan Bienstock, editor do periódico Mathematical Programming.

Interdisciplinaridade e inovação. São dois termos atuais e importantes na busca por conhecimento. E é apostando nesses dois pontos que o Galgos opera no desenvolvimento e aplicação de métodos algorítmicos para o manuseio e análise de grandes volumes de dados. O laboratório é um dos Núcleos de Inovação Tecnológica do Departamento de Informática, e é o tema do “Por Dentro do DI” de hoje.

Coordenado pelo professor Marcus Poggi, que tem como área principal de atuação a Ciência da Computação com ênfase em Teoria Computacional e Otimização e Raciocínio Automático, o Galgos trabalha com técnicas clássicas de design de algoritmos, técnicas de programação matemática e técnicas de aprendizagem de máquinas.

“Muita coisa que o Galgos faz está na fronteira. Nosso laboratório não é vertical. O Galgos abraçou a interdisciplinaridade porque trabalhamos em áreas bem diferentes.” afirma Poggi.

Graduandos, mestrandos e doutorandos, mesmo em fases muito diferentes da trajetória acadêmica, são expostos ao mesmo ambiente de inovação. De acordo com Georges Spyrides, que faz parte do Galgos, o contato com outras áreas foi crucial em sua experiência como mestrando e doutorando no DI.

“O que é legal no laboratório é a rotina de almoços e conversas que te expoem a temas diferentes. Fiz muitas amizades com outras pessoas e mesmo tendo como tema específico no doutorado o Process Mining, não deixei de aprender outras coisas. O doutorado tem essa coisa de te transformar em um especialista em algo específico, mas o Galgos me deu essa chance de ampliar horizontes para outras coisas, me transformar em um profissional mais completo”, afirma Spyrides.

Poggi lembra que o Galgos, que na época ainda se chamava ATD-LAB, começou com um esforço conjunto dele e dos professores do DI Hélio Lopes e Eduardo Laber. E destaca que a colaboração entre a equipe está no DNA do laboratório. “Eu, o Hélio e o Laber fizemos esse grupo e logo chegaram outros para colaborar. Desde que o Galgos surgiu, já existia essa coisa da parceria mesmo. Os alunos querem aprender e interagem bastante entre si, desde a graduação”, aponta Poggi.

Alunos do Galgos e de outros laboratórios reunidos Foto: Arquivo Pessoal

Pelo fato de o Galgos ser um laboratório com grande diversidade de áreas de atuação, existe também a colaboração com outros laboratórios. Entre eles se destacam o ExACTa, uma iniciativa de experimentação ágil e cocriação para transformação digital, e o Laboratory for Advanced Collaboration (LAC), que desenvolve softwares para redes móveis, Internet das Coisas e ambientes de computação pervasiva.

Parcerias com o setor produtivo

O Galgos também produz inovação em parcerias com empresas. O projeto PRONAV (patrocinado pela Petrobras) estuda algoritmos para gerar a movimentação dos produtos claros e escuros ao longo da costa do Brasil; enquanto o projeto RC (em parceria com a FAST-SearchandTransfer) visa a extração automática de conteúdo relevante de páginas Web.

A possibilidade de participar de grandes projetos com o setor produtivo é outro ponto ressaltado por Spyrides. “Uma coisa que impressiona no DI, na pós como um todo, é a liberdade. Agora, você é responsável pela sua própria trajetória. O acesso ao professor se torna muito mais pessoal. Por isso, conseguimos articular esses projetos”, conta.

O trabalho do laboratório também recebe reconhecimento internacional. Em 2017, o ex-aluno de doutorado do DI Eduardo Uchoa, que fez parte do Galgos, recebeu o prêmio de melhor artigo científico no International Symposium on Mathematical Programming, junto com Artur Pessoa, também aluno do departamento.

A qualidade das pesquisas produzidas pelo Galgos também pode ser constatada pelas publicações em veículos científicos relevantes, como ACM TOIS, SICOMP, Mathematical Programming, ACM TALG, WWW, IPCO, dentre outros.