‘Web-of-Data é uma outra web por trás da web’, afirma Casanova, em live

Em seminário online, professor fez um convite para a disciplina sobre Integração de Dados que vai ministrar no DI da PUC-Rio

“No início, isso tudo aqui era mato”. Essa frase recorrentemente é usada nas redes socias para falar sobre o início da internet. E foi esse “mato” o ponto de partida do professor Marco Antonio Casanova no seminário “Selected Topics on the Web-of-Data and Data Integration”, transmitido ao vivo no canal do YouTube e na página do Facebook do Departamento de Informática (DI) da PUC-Rio, na sexta-feira (25). “A história da web começou há 41 anos. Desde o instante zero, tudo na web é baseado em padrões, e isso é extremamente importante”, disse.

 Na primeira parte da palestra, Casanova falou sobre a história de Web-of-Data, dando ênfase na ideia de que se pode taguear as páginas da web com RDF (Resource Description Framework), que é apropriado para isso. “Na verdade, Web-of-Data é uma outra web por trás da web que a gente está acostumada a ver, e que descreve dados”, afirmou o professor, que também deu exemplos de keyword search para mostrar como começar a trabalhar com RDF diretamente.

Casanova também abordou a integração de dados e apontou os problemas relacionados. “O problema de integração de dados está no cerne da Ciência de Dados”, alertou.  Ele falou sobre questões como schema alignment, criação de ontologia de domínio, extração de dados e datafusion, entre outras. Antes de encerrar e abrir para perguntas, o professor fez um convite para todos participarem de seu curso de Integração de Dados no próximo semestre, e brincou: “A boa notícia é que vocês não vão ter que me escutar, quem dá as aulas são os próprios alunos, eu simplesmente tento organizar um pouco o material”.

Essa foi a terceira edição da série de lives do DI. Na estreia, o professor Hélio Lopes falou sobre Ciência de Dados, ressaltando a importância de se falar a língua dos dados atualmente. No dia 18, Edward Hermann apresentou sua pesquisa, que impressionou o mundo da computação, e contou que foi preciso aliar as ciências exatas e humanas para resolver um problema que estava há mais de 40 anos em aberto na computação. Não perca as próximas lives: se inscreva no canal do DI e ative o lembrete!

 

Clarisse de Souza fala das contribuições de IHC para teorias da Computação

Em webinar, professora emérita do DI ressalta a importância de refamiliarizar estudantes e pesquisadores da computação com a subjetividade

 

Criadora da Engenharia Semiótica e uma das pioneiras da área de interação humano-computador (IHC) no Brasil, Clarisse Sieckenius de Souza foi a palestrante convidada do VIII Webinar de 2020, evento do Capítulo Brasileiro da ACM SIGCHI (BR-CHI). Em transmissão ao vivo pelo YouTube nesta sexta-feira (25), a professora emérita do Departamento de Informática da PUC falou sobre como a IHC pode contribuir para os fundamentos da computação.

Partindo da definição do que é a computação em sua perspectiva, Clarisse abordou em seguida a influência de Noam Chomsky no campo da linguística, ainda na década de 80, quando houve a importante revolução chamada “A Virada Pragmática da Linguística”. Para a professora, a linguística descritiva proposta por Chomsky é análoga à uma situação da Computação: “Ele descreveu da maneira que nós da computação conhecemos. Chomsky ainda propôs as transformações entre as representações linguísticas subjacentes”, comentou.

Sobre as contribuições da IHC para as teorias fundamentais da Computação, Clarisse apontou que ao incluir humanos nessas teorias é preciso levar em conta não apenas os aspectos individuais, mas também coletivos da experiência humana. E que, ao trazer esses aspectos, elementos das ciências humanas e sociais vêm junto. A professora fez questão de ressaltar que não se trata de uma guerra de domínio, e falou sobre esse processo nas respostas para quatro perguntas:

  • Que elementos incluir?
  • Qual é o papel desses elementos?
  • Como incluir?
  • Como articular essa inclusão?

Em síntese, a palestra salientou que a linguagem, seja ela qual for (a língua falada ou a representação computacional) carrega intenção e um contexto. Por isso, não é possível extirpar a subjetividade da computação, como Clarisse explicou ao responder sobre o papel dos elementos das ciências humanas e sociais nas teorias fundamentais da computação.

Estudantes e pesquisadores da ciência da computação precisam se refamiliarizar com o que é a subjetividade. Não falar dela não faz desaparecer da cena. Fazermos as pazes com a subjetividade e inclusive explorar o que ela tem de bom seria interessante”, finalizou. 

Em 2014, Clarisse foi escolhida uma das 54 mulheres de todos os tempos que se destacam pela atuação em pesquisa na área de Ciência da Computação. O objetivo da distinção, criada pelo Instituto Anita B.org e pela Associação de Pesquisa em Computação Mulher (CRA-W, na sigla em inglês), é estimular meninas na área de programação.

Hermann apresenta pesquisa que impressionou o mundo da computação, nesta sexta (18)

Resultado alcançado em parceria com Lew Gordeev, da University of Tübingen, é tema da segunda edição da série de lives do DI

No universo da complexidade computacional, há problemas que permanecem por décadas sem solução. E um deles estava há mais de 40 anos em aberto, até que a pesquisa realizada pelos professores Edward Hermann, do Departamento de Informática da PUC-Rio, e Lew Gordeev, da University of Tübingen — uma das onze universidades alemãs do German Initiative for Excellence in Research —, conseguiu fechá-lo com uma prova completa. 

Na sexta-feira (18), em live transmitida pelo youtube do DI às 15h, Hermann apresentará o trabalho, publicado no periódico científicoBulletin of the Section of Logic”, que impactou a comunidade da área. No seminário “Compressão de provas lógicas e a conjectura NP=PSPACE”, o professor vai mostrar o resultado da pesquisa. “É um problema que ficou aberto durante algum tempo. Usamos as técnicas de uma área que veio da fundamentação da matemática e da filosofia e acabou parando na computação”, explicou.

O público poderá verificar ao vivo como a prova é validada na palestra, que relaciona diferentes temas, como a teoria da prova, lógica e algoritmos. “Ao conseguir mostrar que provas na lógica proposicional podem ser curtas sempre, você prova que CONP está dentro de NP. E a principal ferramenta para demonstrar isso foi perceber que provas grandes, que demandam muito tempo na verificação, têm seu grau de redundância proporcional ao seu tamanho”, disse Hermann.

Esta é a segunda semana da série de lives do DI, que estreou sexta (11), com o professor Hélio Lopes apresentando o seminário “Pesquisa em Ciência de Dados: A Escalada para a Valorização dos Dados”. O evento alcançou mais de 100 pessoas assistindo simultaneamente e segue disponível no canal do DI no Youtube. Não perca o próximo, dia 18 às 15h!

 

Data Science: ‘É importante saber falar a língua dos dados’, diz Hélio Lopes, em live

Cientista de dados deve ser criativo, ter mente aberta e analítica, interesse humano e saber negociar

Para atingir a transformação digital, é importantíssimo uma mudança cultural. Foi com esse conceito que o professor Hélio Lopes, do Departamento de Informática (DI) da PUC-Rio, começou sua fala no seminário “Pesquisa em Ciência de Dados: A Escalada para a Valorização dos Dados”, transmitido ao vivo pelo Youtube na última sexta-feira (11). Com mais de 100 participantes conectados simultaneamente, o evento marcou a estreia da série de lives do DI como um sucesso e segue disponível online.

“As empresas estão todas interessadas em transformação digital. Ainda mais agora, neste período de pandemia, em que se verificou que automatizar processos, melhorar a comunicação de uma forma digital entre as pessoas com o uso de tecnologia é algo muito importante”, disse Hélio, ao apresentar o tema. Ele ressaltou “falar a língua dos dados” é hoje, para muitas profissões e setores da indústria, uma habilidade tão necessária quanto foi o domínio da língua inglesa no século passado.

Com o objetivo de transformar dados em informação e esta, por sua vez, em conhecimento, a Data Science — que foi traduzida para o português como “ciência de dados”, mas segundo o professor melhor seria ser chamada de “ciência por dados” — tem múltiplas aplicações. Com diferentes fundamentos e técnicas, abarca desde aplicativos como Waze até um sistema de busca semântica em cenas de novela através de reconhecimento facial. 

“Você cria uma ontologia, um sistema de acesso à base de dados, de forma eficiente. Mas para isso tem que ter um algoritmo que consiga realmente reconstruir sem erro dentro desse contexto o reconhecimento de cada artista em cada cena de todas as novelas do legado que existe na Globo, por exemplo”, disse Hélio. Esse projeto, “Globo Face Stream: A System for Video Meta-data Generation in an Entertainment Industry Setting”, foi desenvolvido pelo DI da PUC-Rio com alunos que atuam na Globo.com e recebeu o prêmio “Best Paper Award Certificate” neste ano.

Habilidades do Cientista de Dados

Lopes disse que, no Departamento de Informática da PUC, “ao formar esses novos cientistas de dados, queremos formar um líder em ciência de dados”. E elencou as habilidades necessárias para esse ideal de profissional, que precisa: 

  • Ter mente aberta
  • Ser criativo
  • Ter interesse humano
  • Ter poder analítico
  • Capacidade de fazer negócios

A combinação desses fatores em um cientista de dados atende ao maior interesse da indústria, que é melhorar seus negócios com o uso de dados para auxiliar as tomadas de decisão, segundo o professor. 

Dando sequência à série de lives do DI, que vai até dezembro, na próxima sexta (18), às 15h, o professor Edward Hermann falará sobre “Compressão de provas lógicas e a conjectura NP=PSPACE”, no YouTube do DI PUC Rio. Não perca!