Por Dentro do DI: Instituto Tecgraf é pioneiro em parceria com indústria

O diretor do Tecgraf/PUC-Rio, prof. Marcelo Gattass (segundo à esquerda), ao lado de colaboradores do Instituto, no estande do Tecgraf na Rio Oil & Gas 2018. Foto: Reprodução / Instituto Tecgraf/PUC-Rio

Laboratório, que tem a computação gráfica como área de pesquisa, colabora há mais de 30 anos com a Petrobras

Mais de três décadas de pesquisa e desenvolvimento na área de computação gráfica, e uma sólida parceria com a indústria. Esses são alguns dos atributos do Instituto Tecgraf vinculado ao Departamento de Informática da PUC-Rio. O laboratório é coordenado pelo professor do DI Marcelo Gattass e desenvolve sistemas computacionais, simulações numéricas, computação distribuída e visualização gráfica interativa tridimensional.

O instituto nasceu como um ponto de interseção da Informática com os departamentos de Engenharia Civil e Matemática da universidade. Foi criado em 1985, pelo professor Luís de Castro Martins, que era diretor do Rio Data Centro (RDC) da PUC-Rio. A ideia era desenvolver a área de computação gráfica no campus. 

Abrigados em duas salas dentro do RDC, a missão da equipe inicial do Tecgraf era também ajudar no desenvolvimento da biblioteca GKS/PUC, uma implementação nacional do então padrão internacional Graphical Kernel System, usado para desenvolver programas gráficos interativos. 

Gattass fez parte daquele primeiro núcleo, e logo passou a liderar os trabalhos desenvolvidos por lá, o que chamou a atenção da diretoria do DI. Após o convite do então diretor, José Lucas Rangel, Gattass ingressou no nosso departamento, assim como o Tecgraf, que foi totalmente abraçado pela Informática da PUC-Rio até 2013. Foi neste ano que o laboratório se tornou um instituto diretamente ligado à Vice-Reitoria de Desenvolvimento da universidade. 

Segundo Gattass, o atual objetivo é manter o Tecgraf engajado tanto no ambiente acadêmico quanto na sociedade de uma forma geral. “Eu sempre procurei fazer algo que colocasse a PUC como uma universidade de produção de conhecimento, de formação de pessoas de excelência”, define. 

Leia também: Perfil: Marcelo Gattass trouxe parcerias com empresas e indústria ao DI

Parceria com a indústria

Não há como falar do Tecgraf sem destacar sua longa colaboração com o setor industrial. A principal parceira do grupo é a Petrobras. A cooperação com a empresa vem desde a criação do Instituto. 

De lá para cá, o Tecgraf desenvolve, implementa e mantém diversos sistemas em operação na Petrobras, nas áreas da exploração, produção e abastecimento, e também com foco na segurança e na proteção do meio ambiente. Um dos projetos de responsabilidade do instituto é justamente o do sistema que previne derramamento de petróleo dos navios e plataformas da Petrobras. “A gente ajudou muito o setor a se tornar mais seguro e a combater vazamentos”, conta Gattass. 

Marcelo Gattass durante inauguração do Prédio Pe. Laércio em 17 de outubro de 2013. Foto: Arquivo pessoal

O Tecgraf também tem projetos em parceria com empresas como Transpetro, GE Brasil, Eneva, Shell Brasil e Marinha do Brasil. O Instituto também colabora com outros departamentos acadêmicos da PUC-Rio e instituições de ensino e pesquisa nacionais e internacionais.

Além da indústria de óleo e gás, o instituto trabalha nos setores de segurança, entretenimento e medicina, atuando de forma ampla em diversas áreas de competência, como Modelagem e Simulação Computacional, Gestão de Dados e Ciência de Dados, Tecnologias de Interatividade Digital,  Indústria 4.0 e Otimização e Logística. “Nosso intuito é buscar o envolvimento dos alunos em um trabalho que seja relevante, e gerar riqueza com isso”, explica o professor. 

A longa e abrangente associação com o setor industrial rendeu diversos prêmios e conquistas ao Tecgraf, ao Gattass, aos seus colaboradores e à própria universidade. Recentemente, a Ciência da Computação da PUC-Rio conquistou o 1º lugar na lista de cursos de universidades brasileiras da área que mantêm projetos com a indústria no Emerging Economies University Rankings 2021, divulgado pela prestigiosa revista inglesa “Times Higher Education”. “Grande parte do nosso reconhecimento com a indústria vem do Tecgraf”, ressalta o diretor do DI, Markus Endler. 

Equipe ampla e engajada 

Em 1987, o Tecgraf começou com uma equipe de 12 pessoas. Hoje, são mais de 400 colaboradores, que trabalham em projetos dos mais diversos clientes. Tamanho crescimento exigiu preparo e suporte. Na coordenação das gerências que compõem o Tecgraf hoje, está o gerente geral técnico e ex-aluno do DI Carlos Cassino. É ele quem mapeia as novas demandas e busca estimular um trabalho colaborativo em prol dos bons resultados. “Meu papel é ter uma visão geral do que os grupos estão fazendo, tentar integrá-los e fazer prospecção com empresas para buscar novos projetos”, explica.

Equipe do Tecgraf responsável por desenvolver o Projeto CCPD – Centro de Controle de Proteção de Dutos para a Transpetro: Ricardo Terzian, Leonardo Barros, Douglas Carriço, Maria Julia Lima, Samir Azzam, Silvio Hamacher, Carlos Cassino, Carlos Coutinho Netto, Rodrigo Iaigner (em pé da esquerda para direita); Melissa Lemos, Daniel Gonçalves e Rodnei Silva Couto (sentados da esquerda para direita). Foto: Reprodução / Instituto Tecgraf/PUC-Rio

Por sua vez, a pesquisadora Melissa Lemos, ex-aluna do DI, é a gerente de projetos na área de big data, trabalhando com busca e integração de dados. Um dos que estão sendo tocados por sua equipe é o Danke, com um tecnologia de busca de dados que não exige que os usuários tenham habilidades técnicas específicas para pesquisar, recuperar, explorar e resumir informações em bancos de dados.

Esse modo de operar do Danke é usado em produtos pensados para vários clientes do Tecgraf, como a Petrobras. “Já aplicamos busca para diversos projetos da indústria de óleo e gás, como, por exemplo, na área de inspeção, manutenção e segurança de plataformas”, conta Melissa. Mais recentemente, o Danke foi utilizado em aplicações web para ajudar a extrair dados relacionados à Covid-19.

Para os pesquisadores, o crescimento do Tecgraf é fruto de um ambiente colaborativo e de valorização de pessoas. “Precisamos fazer com que o conhecimento reflita para todo o ambiente, gerando uma espiral positiva que atraia cada vez mais alunos e pessoas”, disse o professor. 

Se você é aluno de graduação, mestrado ou doutorado e tem interesse em saber mais sobre o Tecgraf e em como ingressar no instituto, acesse a área de Trabalhe Conosco do site e acompanhe as suas redes sociais, no Facebook e no LinkedIn.

 

Por Dentro do DI: TeleMídia trabalha com sistemas multimídia e hipermídia

Membros e ex-membros do TeleMídia. Foto: Arquivo pessoal

Machine learning e redes de computadores também fazem parte do trabalho do laboratório, responsável pelo desenvolvimento do middleware Ginga

No quarto post da série “Por Dentro do DI”, falaremos sobre o TeleMídia, um dos Núcleos de Inovação Tecnológica (NIT) do Departamento de Informática da PUC-Rio. O laboratório é coordenado pelo professor do DI Sérgio Colcher, e é voltado para as áreas de Redes de Computadores, Sistemas Distribuídos Hipertexto e Multimídia e Ciência de Dados. 

Mais recentemente, as pesquisas e projetos do núcleo têm se voltado para a análise de sentimentos em conteúdo multimídia, compressão e codificação de imagens e vídeo, novos cenários de TV e de mídia imersiva e aplicação de técnicas de aprendizado de máquina aos domínios de TV Digital Interativa.

O aprendizado de máquina, especialmente, tem sido um grande objeto de estudo do laboratório, que o vem aplicando em sistemas multimídia e hipermídia. “Estamos pensando na nova geração de sistemas de TV que já inclui a questão do machine learning. A ideia básica é ter, por exemplo, o reconhecimento automático de telas, de pessoas e a realização do sincronismo automático”, explicou Sérgio Colcher. 

O pesquisador Álan Guedes, que atua no TeleMídia desde 2013, faz coro ao “novo” movimento de atuação do laboratório. “Arrisco dizer que as temáticas mais importantes do TeleMídia são sistemas multimídia/hipermídia, redes de computadores e machine learning”, disse Guedes.

O coordenador do TeleMídia e professor do DI, Sérgio Colcher.

História do laboratório

O TeleMídia tem como origem a área de Redes de Computadores na PUC-Rio, que remonta a 1980. Naquela década, surgiram as primeiras redes locais brasileiras, como a Redpuc, que dava suporte à concepção distribuída das centrais. À frente desse estavam os professores Daniel Menasce e Luiz Fernando Gomes Soares (1954-2015). 

Sérgio Colcher ingressou no grupo quando a Redepuc evoluiu suas pesquisas para aplicações distribuídas em rede. Foi a partir desses desdobramentos que o professor Luiz Fernando Gomes Soares fundou o TeleMídia. Desde então, o laboratório teve uma série de desenvolvimentos na área de redes de computadores e de sistemas multimídia e hipermídia. 

Um deles foi a criação do HyperProp, em meados da década de 1990. Esse era um projeto na área de ambientes voltado a desenvolver aplicações hipermídia, a partir da necessidade de um tratamento mais formal para os documentos trocados nas aplicações multimídia. 

Em 2005, as pesquisas do projeto HyperProp se concentraram na área de TV Digital Interativa, e tiveram como resultado o subsistema Ginga-NCL, uma camada de software intermediário que funciona entre os aplicativos e o sistema operacional das TVs. Um ano depois, o Ginga se tornou o ambiente declarativo do middleware do padrão brasileiro de TV digital terrestre, e em 2009, o sistema obteve a Recomendação ITU-T H.761 para serviços IPTV. 

Esse padrão foi aprovado pelo grupo da União Internacional de Telecomunicações, fazendo do Ginga o primeiro exemplo de padrão brasileiro aceito mundialmente. Hoje, ele também é adotado em outros países da América do Sul e da África – além, é claro, de ter um grande alcance em território nacional.

“A maioria das TVs brasileiras hoje tem essa camada de software para interatividade”, explica o professor Colcher, que também destacou as atualizações do Ginga. Em dezembro do ano passado, ele e Álan Guedes publicaram um artigo na revista especializada “Set” sobre as atualizações do middleware para a TV Digital 2.5. A nova versão, chamada DTVPlay, visa a uma melhor comunicabilidade com os novos recursos das televisões SmartTV, serviços de streaming, celulares e dispositivos de Internet das Coisas (IoT). 

Desenvolvimento de projetos e alunos

Um dos pontos altos do TeleMídia é a parceria com diferentes empresas e instituições, como a Petrobras, a Força Aérea Brasileira e o banco BTG Pactual. Dentre as atividades exercidas, estão a análise de sinais e imagens e o desenvolvimento de serviços internos com machine learning

Arte do Prêmio Luiz Fernando de Computação para o WebMedia 2020. Foto: Divulgação

Também tem destaque a atuação do laboratório no Simpósio Brasileiro de Sistemas Multimídia e Web (WebMedia), que é promovido pela Sociedade Brasileira de Computação (SBC) e interliga alunos, pesquisadores e profissionais das áreas de Multimídia, Hipermídia e Web. Assim como o TeleMídia, o WebMedia foi fundado pelo professor Luiz Fernando Gomes Soares, anualmente homenageado no Simpósio com o prêmio Luiz Fernando de Computação, para trabalhos de impacto social.

Além disso, o TeleMídia fomenta a produção científica, investindo em seus colaboradores. Segundo Guedes, o laboratório fortalece o trabalho de quem tem interesse nas áreas de machine learning, sistemas multimídia/hipermídia e redes de computadores. “Eu acho que o TeleMídia tem uma vertente muito forte em pesquisa, inovação e padronização, e quem passa por aqui vai trabalhar nessas áreas”, disse o pesquisador. 

O laboratório oferece cursos de extensão e especialização nas áreas de TV Digital e Redes de Computadores, e se junta a pesquisas realizadas pelos alunos, sobretudo de mestrado e doutorado. Alunos da graduação e outros interessados também são bem-vindos. 

Para saber mais sobre o trabalho do TeleMídia, basta entrar em contato pelo seguinte e-mail: info@telemidia.puc-rio.br

Por Dentro do DI: ExACTa desenvolve soluções para empresas parceiras

Foto: Arquivo pessoal

Iniciativa focada em experimentação ágil, cocriação e transformação digital tem amplo impacto na receita dos clientes

No segundo post da série “Por Dentro do DI”, que trata sobre os Núcleos de Inovação Tecnológica (NITs) do Departamento de Informática (DI) da PUC-Rio, falaremos sobre o ExACTa, que criou e utiliza uma forma inovadora de trabalhar com experimentação ágil e cocriação para prover soluções em transformação digital. 

O objetivo do ExACTa é estreitar os laços entre pesquisa e desenvolvimento, permitindo aplicar resultados de pesquisa para desencadear inovação e excelência nas empresas parceiras, como é o caso da Petrobras. 

O ExACTa realiza pesquisa aplicada em ciclos ágeis para entregar, em curto espaço de tempo, soluções de TI que resolvam problemas de negócio e maximizem os resultados dos clientes. Para tal, são empregadas tanto pesquisas inéditas realizadas especificamente no contexto dos projetos quanto aplicados resultados de pesquisas desenvolvidas em outros laboratórios temáticos do DI.  

A iniciativa é coordenada pelos professores do quadro principal do DI, Helio Lopes, Marcos Kalinowski, Marcus Poggi e Simone Barbosa, que são pesquisadores das áreas de Ciência de Dados, Engenharia de Software, Otimização e Interação Humano Computador. 

“Entre os diferenciais do ExACTa, estão a orientação a resultados para o cliente, a forte integração com pesquisa e a abordagem própria e inovadora para a cocriação de soluções de pesquisa e desenvolvimento com agilidade”, disse Kalinowski, que também destaca a equipe altamente qualificada e a qualidade da infraestrutura física e ferramental, que permite a realização de dinâmicas de cocriação tanto em formato presencial quanto remoto.

Dentre as áreas de atuação da iniciativa estão soluções multidisciplinares envolvendo ciência de dados, inteligência artificial, internet das coisas (IoT), otimização, entre outros.

Pilares da iniciativa

O primeiro pilar que rege o trabalho do ExACTa é a experimentação ágil; ou seja, todo o processo é focado na integração com a estratégia do negócio do cliente, de forma ágil e pautado na experimentação contínua. “Desenvolvemos uma tecnologia onde a gente traz, do negócio, soluções para serem desenvolvidas e colocadas em operação”, explica Lopes.

Foto: Arquivo pessoal

O segundo é a cocriação, que consiste na atuação da equipe do ExACTa em conjunto com a equipe do cliente, de forma que agilize a criação de soluções inovadoras que agreguem valor ao negócio.

Por fim, o intuito da iniciativa é promover transformação digital, oferecendo soluções disruptivas e que empreguem tecnologia de ponta, pensando fora da caixa para buscar a excelência operacional do cliente. 

Reconhecimento

Tamanho trabalho tem surtido efeito. A partir dos pilares de experimentação ágil, cocriação e transformação digital, o ExACTa tem alcançado resultados surpreendentes. 

“As soluções são entregues em um tempo mediano de quatro meses”, disse Lopes, destacando os processos da iniciativa. “Em 2020, entregamos seis soluções para a Petrobras, que foram colocadas em operação em vários setores.”

O resultado é notório. Segundo Lopes, as soluções implementadas na Petrobras trouxeram um retorno de pelo menos sete vezes o valor investido. 

“Já em relação à nossa abordagem inédita de cocriação, ela resultou em publicações  em conferências científicas especializadas na área, como a EuroMicro Conference on Software Engineering and Advanced Applications (EuroMicro SEAA) 2020 e a International Conference on Product-focused Software Process Improvement (PROFES) 2020, que é um dos principais fóruns internacionais sobre processos de software, recebendo excelente retorno da comunidade internacional”, ressaltou Kalinowski.

Equipe qualificada

O trabalho do ExACTa não seria possível se não fosse a sua equipe altamente qualificada. Além da coordenação dos professores Hélio, Kalinowski, Poggi e Simone, a iniciativa conta com a presença de quatro líderes de equipe – Jacques Chueke, Juliana Alves Pereira, Rodrigo Lima e William Fernandes –  mais de 20 agentes de transformação digital contratados especificamente para o ExACTa e cerca de outros 50 colaboradores contratados pelos laboratórios temáticos diretamente relacionados com a iniciativa. 

Marcos Kalinowski, Helio Lopes e Jacques Chueke. Foto: Arquivo pessoal

A iniciativa oferece oportunidades práticas diferenciadas para profissionais de destaque. Os desenvolvedores e pesquisadores da equipe são talentos formados pelo Departamento de Informática da PUC-Rio ou por outras instituições de ponta, a maioria com mestrado ou doutorado em suas áreas de atuação.

Chueke, por exemplo, é doutor em Ciência da Computação na área de Interação Humano Computador pela City University of London. Hoje, ele atua como líder de equipe de UX (User Experience) e UI (User Interface) no ExACTa. Seu trabalho consiste na materialização de soluções que atendam aos usuários finais, transformando-as em artefatos digitais interativos. “As interfaces criadas para as soluções permitem o acesso fácil, seguro e útil aos dados pertinentes a cada projeto”, explica. 

Para Chueke, a iniciativa reúne profissionais que possuem uma forte presença corporativa, mas que  também se dedicam à pesquisa acadêmica. “Os aspectos corporativos e acadêmicos são contemplados com eficiência e harmonia, e possibilitam a inovação e aplicação de tecnologia de ponta”, finaliza.

Para saber mais sobre o ExACTa, acesse http://www.exacta.inf.puc-rio.br ou envie um e-mail para contato@exacta.inf.puc-rio.br.

Por Dentro do DI: LAC desenvolve middleware e aplicações para IoT

Foto: Arquivo pessoal

Laboratório coordenado pelo diretor do DI, Markus Endler, é focado nas áreas de computação distribuída com mobilidade, computação pervasiva e Internet das Coisas

Um dos grandes diferenciais do Departamento de Informática da PUC-Rio (DI) é a existência de 13 Núcleos de Inovação Tecnológica (NITs), os laboratórios de pesquisa coordenados por professores e pesquisadores do DI. Esses laboratórios realizam pesquisa aplicada e inovação em muitas áreas, tais como Ciência de Dados, Engenharia de Software, IA e Machine Learning, Otimização de algoritmos em grafos, Games e Realidade Virtual e Internet das Coisas.

Para falarmos mais sobre os NITs, iniciamos a série “Por Dentro do DI”, que trará os objetos de pesquisa e as conquistas de cada laboratório. O primeiro NIT a ser abordado é o LAC (Laboratory for Advanced Collaboration), fundado em 2002 pelo atual diretor do DI, Markus Endler.

O LAC é responsável por realizar pesquisa básica e aplicada em computação distribuída com mobilidade, computação pervasiva interconectada, e desde 2014, também em Internet das Coisas com mobilidade (Internet of Mobile Things – IoMT). 

Desde sua fundação, tem se dedicado ao desenvolvimento de plataformas de middleware (i.e. uma infraestrutura de software envolvendo serviços e protocolos), que facilitam o desenvolvimento, a operação e o gerenciamento de aplicações distribuídas adaptativas.

Em paralelo, o LAC desenvolveu também inúmeras aplicações inovadoras (protótipos) para testar e validar as funcionalidades dos middlewares subjacentes. Todos esses softwares foram e continuam sendo extensivamente usados para pesquisa e ensino na pós-graduação.

Nos últimos 10 anos, o LAC tem inovado na criação de uma plataforma de middleware extensível para aplicações de IoMT. Esse middleware, chamado de ContextNet, tem componentes na nuvem e em dispositivos mobile (p.ex. em smartphones ou outros dispositivos móveis, como drones), e parte da ideia de que alguns elementos da infraestrutura também podem executar em nós móveis, permitindo assim monitorar e controlar dispositivos IoT em movimento, e até identificar e classificar padrões de mobilidade de objetos, como co-mobilidade de pessoas ou coisas.

O ContextNet é usado em vários grupos de pesquisa na PUC-Rio e também em outras universidades. Em 2020, por exemplo, o LAC iniciou uma pesquisa em Computação Pervasiva e IoT em parceria com a Universidade de Waterloo, no Canadá, a fim de criar um sistema IoT de serviços de saúde hospitalares e ambulatorial, tendo como base o middleware ContextNet.

“Esse é um middleware bastante complexo e extensível, que serve como uma ferramenta muito útil e versátil para o desenvolvimento de sofisticadas aplicações para a Internet das Coisas e que leva em consideração a mobilidade de agentes e coisas, e seus contextos mutáveis”, explicou Endler.

O ex-aluno do DI e então pesquisador do LAC, Gustavo Baptista, recebendo o prêmio Software Development Award do engenheiro de sistemas da Boeing, Tom Dubois, nas dependências do Laboratório, em 2012. Foto: Arquivo pessoal

Para Endler, o desenvolvimento de um sistema de middleware escalável, confiável e multi-serviço, como o ContextNet, é um dos grandes diferenciais do laboratório, permitindo um grande engajamento e senso de pertencimento por parte de todos os envolvidos, incluindo atuais alunos – de graduação e pós-graduação – e ex-alunos já formados.

Parcerias com universidades, centros de pesquisa e empresas

A Universidade de Waterloo não é o único exemplo de parceria do laboratório. Ao longo dos anos, o LAC fez projetos com diversos parceiros internacionais, como a Boeing, a Microsoft Research, a FairCom, a Microsoft Brasil, Bell Hellicopters, Sikorsky, e a Petrobras/Liquigás.

Também vale destacar parcerias com grupos acadêmicos nacionais e internacionais, como a Universidade de São Paulo (USP), a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), a Universidade Federal do Maranhão (UFMA), o centro de pesquisa alemão L3S, a Tecnhical University Dresden e a Universidade de Stuttgart, na Alemanha.

Além disso, o LAC é participante e membro do Conselho do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia (INCT), que agrega 14 universidades brasileiras e startups, com mais de 40 pesquisadores e empresários.

Conquistas e premiações

Recentemente, a relevância do middleware ContextNet foi devidamente reconhecida. Em novembro de 2017, Endler recebeu o prêmio Tecnologias de Impacto 2017, concedido pela Qualcomm Brasil, pelo desenvolvimento do ContextNet.

O prêmio Tecnologias de Impacto, que teve cerca de 100 concorrentes, também foi dado para nove outras startups e inventores autônomos, com o objetivo de reconhecer iniciativas de inovação tecnológica e premiar seus respectivos inventores. No caso, o middleware do LAC foi o único projeto inteiramente acadêmico a conquistar o prêmio, e o único na categoria de infraestrutura de middleware, que é agnóstico a um problema ou aplicação concreto.

O fundador do LAC e atual diretor do DI, Markus Endler, recebendo o prêmio Tecnologias da Inovação em 2017. Foto: Arquivo pessoal

“Receber o prêmio foi uma honra muito grande, pois o ContextNet foi reconhecido como sendo um trabalho de PD&I que tem trazido inovação para o país, na forma de uma ferramenta que facilita o desenvolvimento de aplicações distribuídas de IoT”, disse Endler.

Ponte para o mercado de trabalho

Atualmente, o LAC conta com a colaboração de pós-doutorandos, doutorandos, mestrandos, estagiários e alunos de graduação, cada um trabalhando em um total de 13 sub-projetos de evolução do middleware. No LAC, atuam também diversos pesquisadores e colaboradores externos, entre eles, inclusive outros professores do DI, como Edward Hermann Haeussler, Anderson da Silva, Valeria de Paiva e Adriano Branco.

Segundo o doutorando Vitor Pinheiro, o trabalho no LAC o ajudou a ter contato com problemas reais da área, devido ao incentivo pelo contato com empresas. “Ao ter contato com os problemas ainda dentro da universidade, pude desenvolver minha capacidade crítica de avaliar qual solução é mais adequada para cada problema”, disse.

Ainda de acordo com Pinheiro, o LAC e os demais laboratórios da PUC-Rio o ajudaram a fazer uma conexão entre a academia e o mercado de trabalho. 

“Os laboratórios servem como um mediador entre as empresas e os alunos, quase um matchmaking, no qual os dois lados ganham. Os alunos ganham porque eles têm a oportunidade de ter contato com problemas reais e com as empresas já participando na criação de soluções. Já as empresas ganham porque elas já podem avaliar o aluno desde esse processo e podem contratar agora um profissional que eles já possuem uma confiança maior de que ele irá agregar valor.”

O LAC está sempre aberto para receber estagiários, alunos de graduação e pós-graduação, assim como pós-doutorandos, que estejam dispostos a “vestir a camisa” e virarem “LACianos”. Para saber mais sobre as pesquisas do LAC, visite www.lac.inf.puc-rio.br e/ou entre em contato com Markus Endler pelo e-mail: endler@inf.puc-rio.br.