Professores Laber e Thibaut têm artigos aceitos na ICML 2021

Professores Eduardo Laber (esquerda) e Thibaut Vidal (direita)

Trabalhos dos professores do DI são os únicos do Brasil na conferência que acontece de forma online em julho

 

Os professores do Departamento de Informática (DI) Eduardo Laber e Thibaut Vidal tiveram seus artigos aceitos na International Conference on Machine Learning (ICML 2021), uma das principais conferências da área de Aprendizado de Máquinas e Inteligência Artificial. Estes são os dois únicos trabalhos brasileiros aceitos no evento, que reúne pesquisadores de renomadas universidades e centros de pesquisa de todo o mundo para a apresentação de pesquisas inovadoras.

 

Laber e o aluno de doutorado do DI Lucas Murtinho assinam o artigo On the price of explainability for some clustering problems”. Já Vidal e Axel Parmentier (École Nationale des Ponts et Chaussées) publicam o trabalho “Optimal Counterfactual Explanations in Tree Ensembles.

 

Diante do efeito que as decisões automatizadas têm sobre os humanos, o professor Vidal aponta que a interpretabilidade do modelo se tornou um problema importante no aprendizado de máquina. “Muitos processos de aprendizado de máquinas e de algoritmos de tomada de decisões são uma ‘caixa-preta’ porque não deixam claro ao usuário como o resultado final foi obtido. Somos humanos, precisamos de uma explicação. Se não deu certo, queremos saber o que houve de errado para que funcione da próxima vez. Esta é uma tarefa difícil: dar uma explicação, e é isso que estudamos”, explica Vidal.

 

Pensando nisso, o trabalho “Optimal Counterfactual Explanations in Tree Ensemblespropõe um algoritmo capaz de guiar o utilizador. Além de fornecer um resultado do tipo sim/não (por exemplo, em relação a uma análise de crédito), este algoritmo também oferece explicações na forma de um conjunto de ações que permitiriam ao utilizador atingir o resultado desejado em uma análise subsequente. “Esta análise é crítica para a segurança e a transparência do processo de tomada de decisões, permitindo também detectar eventuais vieses ou erros”, ressalta o professor, que também teve outro artigo aceito na ICML no ano passado.

 

Já a pesquisa “On the price of explainability for some clustering problems” se debruça sobre outro desafio: analisar e agrupar dados de forma coerente. O professor Eduardo Laber explica que um dos métodos mais populares para essa tarefa é o k-means, mas é limitado pois não esclarece ao usuário a lógica utilizada para construir os grupos. O artigo apresenta uma forma capaz de obter agrupamentos quase tão bons quanto os do k-means, mas com a vantagem de uma lógica simples de entender.

 

Este é o quarto ano consecutivo que, conjuntamente com seus alunos e colaboradores, o professor do DI tem um artigo aceito na conferência. O trabalho terá direito a uma palestra estendida, concessão dada a apenas 3% das pesquisas submetidas. “Ter um artigo sendo apresentado na ICML representa a certeza de estar na companhia da elite de pesquisa, a nível internacional, na área de aprendizado de máquina. Além disso, fico com a prazerosa sensação de que estou contribuindo para que meus alunos tenham uma experiência  de pesquisa bastante diferenciada”, declara Laber. 

 

A International Conference on Machine Learning é uma das conferências de Inteligência Artificial que mais cresce no mundo e reúne participantes de diversos campos, desde acadêmicos, estudantes e postdocs até pesquisadores industriais, empreendedores e engenheiros.  Neste ano, a edição acontece de forma online entre os dias 18 e 24 de julho. A lista completa dos artigos selecionados nesta edição pode ser acessada clicando aqui.

Em live, Wehrmann destaca importância do deep learning para revolução da IA

Novo professor do DI Jônatas Wehrmann, que ocupa o cargo “Professor Fundação Behring de Inteligência Artificial”. Foto: Arquivo Pessoal

Professor falou sobre as mudanças trazidas pela IA e os caminhos que a área ainda deve percorrer

 

Sistemas que respondem a perguntas, ajudam no diagnóstico de doenças através de análise de imagens, criam objetos que não existem, geram textos, e até músicas. As revoluções trazidas pela Inteligência Artificial (IA) são fascinantes e, para alguns, até mesmo assustadoras. “Esse tema carrega um pouco de mágica. As pessoas falam como se fosse algo que vai resolver todos os problemas do mundo, ou substituir todos os humanos, mas não é bem assim”, destacou o professor do DI Jônatas Wehrmann durante a live da pós-graduação, na sexta-feira (11), no Facebook e YouTube do departamento.

 

Wehrmann, que ocupa no DI o cargo “Professor Fundação Behring de Inteligência Artificial”, explicou que a Inteligência Artificial é uma grande área, com vários campos de pesquisa, métodos e algoritmos envolvidos. Dentro da IA, existe o machine learning (aprendizado de máquinas), que também tem uma série de algoritmos focados em treinar os próprios algoritmos para realizar tarefas, como classificação, agrupamento e recomendação. Ao investigarmos o machine learning mais a fundo, chegamos às redes neurais.

 

As redes neurais profundas (deep learning) são múltiplas camadas capazes de aprender automaticamente o conteúdo dos dados, incluindo imagens, texto, vídeo e áudio, e extrair padrões deles. 

 

“O deep learning surgiu para tentar resolver um problema: como escrever um algoritmo para reconhecer imagens? Quando falamos de visão e classificação de imagem, há uma variedade muito grande, já que os objetos podem estar representados de várias formas e se alteram de acordo com várias condições, como iluminação, posição e tamanho. No final, isso afeta o desempenho dos algoritmos”, detalhou Wehrmann.

 

Antes da revolução gerada pelo deep learning, havia uma área de pesquisa inteira para projetar algoritmos feitos à mão para extrair características de imagens, áudio e vídeo. Hoje, usando uma rede neural apenas, é possível fazer com que a rede aprenda sozinha todos os padrões a serem extraídos. Com o sucesso do deep learning em laboratórios do mundo todo, cientistas passaram a estudar novas arquiteturas, datasets e formas mais eficientes de se treinar redes neurais. 

 

“Nós apenas indicamos como a rede tem que aprender, não precisamos determinar quais são os padrões que existem. Ele vai aprender isso automaticamente e essa é a grande diferença”, afirmou o professor.

 

O desenvolvimento da Inteligência Artificial gerou grandes mudanças na forma de tratar dados. Além de facilitar tarefas como a detecção de objetos, essa tecnologia nos permite gerá-los. Com a IA, é possível criar desde faces de pessoas que não existem até obras de arte, além de melhorar resolução de imagens, colorizar e editar. 

 

O texto também é uma grande dificuldade para os pesquisadores e desenvolvedores de IA, já que existem milhares de palavras, em centenas de idiomas e que mudam de significado ao longo do tempo e de acordo com o contexto. No seminário, Wehrmann descreveu o funcionamento do conhecido GPT-2 (Generative Pre-Training Transformer 2), uma inteligência artificial de código aberto capaz de fazer traduções, responder a perguntas, fazer resumos e até mesmo criar textos. 

 

Um dos trabalhos desenvolvidos por Wehrmann se concentra no aprendizado multimodal, uma arquitetura que processa imagens e textos. O professor, que já trabalhou em projetos com empresas como Motorola, Google, Shell e Samsung, ressaltou que um desafio da área é levar o modelo para outros idiomas além do inglês. 

 

“Poderíamos ter mais variações, como em português, para automatizarmos os processos e trazermos uma revolução para o Brasil. Por aqui, ainda está levando um tempo. Não há muitas pesquisas por falta de mão-de-obra e recursos. Esta é uma área que ainda tem um grande caminho a ser percorrido”, pontuou o professor. 

 

O seminário “Oportunidades de Pesquisa com Inteligência Artificial” foi mais uma transmissão da pós-graduação do DI, que acontece toda sexta-feira, às 15h, no Facebook e YouTube do departamento. Não fique de fora! Se inscreva no nosso canal (youtube.com/dipucrio) e ative o lembrete para não perder nenhuma das nossas lives!

Oportunidades de Pesquisa com Inteligência Artificial é tema de live

Professor Jônatas Wehrmann discute as revoluções que tecnologias como a IA têm causado no mundo

 

A Inteligência Artificial está cada vez mais presente no cotidiano da sociedade, e são inúmeras as oportunidades de trabalho para profissionais da área. A próxima live da pós-graduação do Departamento de Informática (DI) abordará este tema. A transmissão acontece nesta sexta-feira (11), às 15h, pelo Facebook e Youtube do DI. Quem apresenta o seminário é o professor Jônatas Wehrmann, que tem grande experiência em redes neurais e deep learning.

 

“Inteligência Artificial é uma tecnologia incrivelmente útil para automatizar processos manuais ou que precisam de larga escala. Por exemplo, humanos não conseguiriam classificar todos os e-mails enviados como spam ou não. Com esses modelos, os computadores conseguem compreender o conteúdo de texto, imagens, vídeo e áudio, e usá-lo para realizar quase qualquer tarefa, como classificação, sumarização, descrição, e até geração. Ou seja, hoje podemos criar até música através da IA”, destaca Wehrmann, que ocupa no DI o cargo “Professor Fundação Behring de Inteligência Artificial”. 

 

E os usos da Inteligência Artificial não se restringem a isso. “Existem várias aplicações desse tipo de automação na área médica também, como auxílio no diagnóstico de doenças por imagens ou exames de laboratório”, completa o professor.

 

Wehrmann já trabalhou em projetos com empresas como Motorola, Shell, Samsung, Kunumi e OSF Global Services, além de ser vencedor de três Prêmios de Pesquisa da América Latina do Google. 

 

Venha assistir e participar do seminário com suas dúvidas e comentários! Clique aqui para acompanhar. E fique ligado na nosso canal do YouTube: youtube.com/dipucrio. Inscreva-se e ative o lembrete!

 

LEIA TAMBÉM

 

http://www.inf.puc-rio.br/blog/noticia/noticia/professor-especializado-em-inteligencia-artificial-integra-quadro-de-docentes-do-di

http://www.inf.puc-rio.br/blog/noticia/noticia/inteligencia-artificial-nao-e-magica-sao-programas-diz-baffa-em-live

http://www.inf.puc-rio.br/blog/noticia/noticia/inteligencia-aumentada-vai-alem-de-ia-e-promove-transformacao-nas-empresas

Construção narrativa é o novo desafio para aproximar jogo e usuário

Professor Bruno Feijó exibiu o jogo The Paper and Pencil Interactive Storytelling, desenvolvido pelos alunos do DI. Foto: Reprodução/Youtube

Em live do DI, professor Bruno Feijó mostrou a importância de estruturar boas histórias para atrair os jogadores

 

“Todo mundo presta atenção no que é divertido, então é coisa séria”, compartilhou o professor Bruno Feijó na live “Narratologia Computacional e Jogos”, na sexta-feira (28), transmitida pelo Youtube e Facebook do Departamento de Informática (DI) da PUC-Rio. “Sejam casuais, realistas, educacionais, e-sports,… Um fato é inegável: os jogos intrigam, divertem, surpreendem, encantam”, declarou o professor, que é pioneiro no Brasil em CAD, animação e efeitos especiais. O material apresentado no seminário contou com a colaboração do professor emérito Antonio L. Furtado, que não pôde participar do evento.

Os jogos impulsionam os maiores desafios de simulação que a computação pode imaginar, levando a tecnologia a seu extremo. Por isso, Feijó costuma dizer que os games são a Fórmula 1 da computação. Em sua apresentação, o professor citou o exemplo do jogo Unreal Engine 5, que se destaca por seus detalhes de efeitos especiais cinematográficos de precisão impressionante. Segundo ele, o jogo conta com uma engenharia inteligente, adaptativa, que se traduz em fluidez e dinamismo. 

Se desempenhos inacreditáveis já foram atingidos em termos de computação gráfica e inteligência artificial, o desafio no mundo do entretenimento digital se concentra agora no desenvolvimento de narrativas.

Professor Bruno Feijó

“Humanos adoram e precisam de histórias. Ouvir, ler, assistir, participar, contar. Quando não estamos envolvidos nas histórias dos outros, estamos girando em torno de nossas próprias. Sonhamos acordados sobre o nosso passado e nosso futuro. Fabricamos histórias enquanto dormimos, todos os dias!”, compartilhou Feijó. Para ele, a história é como uma “cola social” que gera mitos e narrativas que ajudam a unir as pessoas. 

A narratologia computacional busca criar, interpretar e estruturar histórias do ponto de vista da computação. Hoje, se destacam os roteiros criativos e bem estruturados, que proporcionam uma experiência mais intensa e interativa ao usuário. Os jogos vão além de efeitos especiais e envolvem personalidade, comportamento, surpresas, empatia, cultura. Por isso, a criação de jogos demanda profissionais híbridos, de disciplinas de dentro e fora da computação, como psicologia, artes e design. 

No seminário, o professor expôs três níveis na composição de histórias, conforme determina a pesquisadora Mieke Bal. Enquanto a fábula trata do enredo, personagens e do tema; a narrativa se debruça sobre a forma de contar, pensando nos métodos, na qualidade artística e no interesse da audiência. Já o texto se volta à apresentação, à expressão material da história, explicou Feijó, que coordena o ICAD/VisionLab, laboratório de destaque na América Latina em pesquisa em storytelling interativo, data storytelling e narratologia computacional. 

The Paper and Pencil Interactive Storytelling“, um dos jogos experimentais desenvolvidos pelos alunos do DI, foi exibido durante a live. Usando realidade aumentada, o jogador interfere na história desenhando em um pedaço de papel. O sistema permite dramatizar a narrativa e afetar diretamente as decisões dos personagens a ponto de alterar completamente a história.

A apresentação integra a série de seminários de pós-graduação do DI, que acontece toda sexta-feira, às 15h. Ative o lembrete do YouTube para não perder nenhuma das nossas lives!

Live discute novidades em narratologia para jogos

Professores Antonio L. Furtado e Bruno Feijó falam sobre a área que promete trazer muitas novidades para o mundo do entretenimento digital

Como é o seu jogo preferido e que história ele conta? Depois de avanços impressionantes em computação gráfica e inteligência artificial, o novo desafio do entretenimento digital se concentra em desenvolver narrativas envolventes e criativas. 

Este é o tema da live “Narratologia Computacional e Jogos”, que acontece nesta sexta-feira (28), às 15h. A apresentação será transmitida pelo Youtube e Facebook do Departamento de Informática (DI) da PUC-Rio. Participam do evento o professor emérito Antonio L. Furtado, um dos criadores do DI, e o professor Bruno Feijó, pioneiro no Brasil em CAD, animação e efeitos especiais.

“O jogo está internalizado dentro do ser humano, porque somos lúdicos por natureza. Também somos mergulhados na questão da narrativa. Contamos histórias como forma de nos comunicarmos e transmitirmos conhecimentos. Então, é natural que tenhamos tamanha atração por jogos com boas tramas”, compartilha Feijó. 

A narratologia computacional busca criar, interpretar e estruturar histórias do ponto de vista da computação. Tradicionalmente, os enredos dos jogos costumam ser lineares e aparecem apenas como um pano de fundo. No entanto, há uma demanda atual por roteiros que sejam vivenciados e alterados pelo usuário, proporcionando uma experiência mais intensa e interativa. 

O desafio não é simples. No jogo, assim como na vida real, o player é protagonista, co-autor e disseminador de uma narrativa em tempo real. 

“É preciso pensar no clímax, nos personagens, nos conflitos. Tudo tem que ser bem estruturado, assim como um escritor constrói um romance. Os jogos são uma área profundamente interdisciplinar. Eles criam os maiores desafios de simulação que a computação pode imaginar, levando a tecnologia ao seu extremo. E a computação não pode fazer isto sozinha. Ela precisa da contribuição de várias outras áreas, como psicologia, neurociência, artes e design”, afirma Feijó, que brinca que os games são a “Fórmula 1” da computação.

O professor é coordenador do ICAD/VisionLab, laboratório de destaque na América Latina em pesquisa em storytelling interativo, data storytelling e narratologia computacional. O núcleo também cria jogos independentes para testar novos modelos de montagem de equipes e processos para a indústria.

A apresentação integra a série de seminários de pós-graduação do DI, que acontece toda sexta-feira, às 15h. Ative o lembrete do YouTube e venha participar!

 

LEIA TAMBÉM 

Por Dentro do DI: ICAD/VisionLab atua com games e entretenimento digital

Live descomplica desafios de integração de dados em Data Science

Professor Marco Antonio Casanova falou sobre as dificuldades no acesso a diferentes bancos de dados e mostrou como trabalhá-los na Web

Você já imaginou sua vida sem sites de busca? Com uma simples pesquisa, conseguimos informações precisas em milésimos de segundos. Mas para que estas ferramentas funcionem de forma eficiente, é imprescindível que haja uma boa integração de dados. Este foi o tema da live realizada na sexta-feira (21) pelo Departamento de Informática (DI) da PUC-Rio, com participação do professor Marco Antonio Casanova

“Essa história de consulta por palavra-chave é bem interessante, mas tem muito mais que a gente pode fazer para melhorar a vida do usuário na hora de localizar os dados que ele precisa”, afirmou Casanova, que desenvolve pesquisas com ênfase em tecnologias que facilitem a interpretação de dados na web. “O campo da integração de dados pode ir muito além se adotarmos técnicas de machine learning mais atuais. Assim conseguimos resolver os mesmos problemas que existem há muito tempo de uma forma mais razoável”, defendeu o professor. 

Na live, Casanova explicou os desafios de integrar dados de fontes diferentes, especialmente ao lidar com grandes volumes e múltiplas origens. A questão surgiu na década de 1970, época em que os databases começaram a se popularizar, mas continua relevante até hoje, quando tratamos de aplicações de ciências de dados. 

Um estudo da empresa Crowdflower mostrou que, em um projeto de data science, gasta-se quase 80% do tempo coletando, limpando e organizando dados. Durante a apresentação, o professor identificou os quatro principais problemas a serem resolvidos no tratamento dos dados – alinhamento de esquemas, ligação de entidades, extração e fusão -, e sugeriu técnicas para resolver estes e outros conflitos.

Para quem quer se especializar em bancos de dados, Casanova dá a dica: “A interface de linguagem natural para bancos de dados existe há muito tempo, mas hoje temos tecnologias para fazer isso muito melhor do que há 5 anos. Essa é uma área em que vale a pena investir”.

A transmissão foi pelo YouTube e pelo Facebook do DI. Para revê-la, basta clicar nos links! 

Esta foi mais uma apresentação da série de seminários de pós-graduação do DI, que acontece toda sexta-feira, às 15h. Ative o lembrete do YouTube e venha participar com comentários e perguntas!

Estreia do “Bate-papo do DI” destaca a multidisciplinaridade do Design UX

Professor Alberto Raposo e aluna Karina Tronkos conversaram sobre Design UX em live do “Bate-Papo do DI”. Foto: Reprodução

O professor Alberto Raposo e a aluna Karina Tronkos conversaram sobre importância da área para a experiência dos usuários

 

Se você ainda não está convencido da relevância do Design UX nos dias de hoje, o professor do DI Alberto Raposo, gerente de projetos do Tecgraf, alerta: “tudo tem uma experiência, até mesmo abrir um saquinho de ketchup!” Segundo ele, esse é um elemento fundamental na venda de um produto. A reflexão foi compartilhada durante a live Design UX: uma computação mais humana, realizada nesta quarta-feira (19), no Instagram do DI. A transmissão estreou a série “Bate-papo do DI” e contou com a participação de Karina Tronkos, que é orientanda de Raposo na graduação e produtora de conteúdo no perfil do Instagram nina_talks.

 

O User Experience vai além dos sistemas computacionais, e é extremamente multidisciplinar, destacaram os participantes durante a conversa. Para Raposo, a contribuição de profissionais de diferentes áreas é essencial para uma boa compreensão do usuário e, por isso, é muito bem-vinda. “Não dá pra pensar em um sistema feito apenas pelo programador. Você precisa das outras pessoas que vão criar essa experiência, e você só consegue isso ouvindo quem vem do outro lado”, explicou.  Profissionais da psicologia, pedagogia, publicidade, artes, jornalismo e até mesmo biólogos e médicos podem trazer novos pontos de vista para a área. “Uma vez eu recebi uma mensagem de uma dentista que falou: ‘você fala tanto de experiência do usuário que eu estou conseguindo aplicar isso no meu consultório, na forma como penso na experiência dos meus pacientes”’, contou Karina, que trabalha como Product Designer no Hurb.

 

A estudante também lembrou que a experiência está atrelada à interação dos usuários com a marca como um todo. Por isso, o contato constante com todas as áreas da empresa é fundamental: desde desenvolvimento e negócios, até data science, jurídico e marketing. “Estamos sempre tentando alinhar as necessidades do usuário, os objetivos de negócio e a viabilidade técnica.” Segundo Karina, o designer UX pode ser descrito como um “advogado do usuário”, já que é responsável por proporcionar experiências da melhor forma possível. 

 

Enquanto o Design UX é cada vez mais explorado pelas empresas, Raposo indicou que a área também representa um desafio interessante para pesquisas acadêmicas. De acordo com o professor, pensar no futuro envolve olhar para novas tecnologias onde o UX ainda não está bem definido, como a interação por voz, ou centros de realidade aumentada e virtual. “Academicamente, é onde se precisa estudar mais, justamente para essas tecnologias chegarem ao mercado de forma mais robusta”, afirmou. Outro campo que ainda precisa ser trabalhado no Design UX no Brasil é a acessibilidade. Segundo os participantes, aspectos como contraste, iluminação, área de toque e mesmo o idioma são importantes para tornar o produto universal para pessoas com deficiências, idosos, pessoas iletradas, ou até mesmo que tenham mãos um pouco maiores do que o padrão.

 

Esta foi a primeira live da série lançada no perfil do departamento no Instagram. No “Bate-papo do DI”, professores, alunos e ex-alunos vão conversar sobre temas de pesquisa e assuntos interessantes do universo da computação. Acompanhe as redes sociais do DI para saber das novidades!

Perfil: Arndt von Staa é um dos pioneiros na computação no Brasil

Professor emérito e um dos fundadores do DI é apaixonado por programação 

 

Hoje é dia de conhecer mais a trajetória de um dos grandes pesquisadores do DI. Vamos apresentar o perfil do professor emérito Arndt von Staa. Confira!

 

Um interesse que surgiu “por acaso”. É dessa forma que o professor emérito do Departamento de Informática (DI) da PUC-Rio Arndt von Staa define o seu vínculo com a computação. Tudo começou durante a graduação em Engenharia Mecânica, cursada na própria PUC-Rio. A curiosidade despertada no jovem von Staa frutificou, e ele veio a se tornar um dos pioneiros da área de computação no Brasil, e também um dos fundadores do departamento.

 

“No segundo semestre do segundo ano (em 1962), eu não tinha nada para fazer à tarde. Um dia, o Padre Amaral, então coordenador do curso de Engenharia da PUC-Rio, apareceu no corredor e me contou do curso de programação que a universidade ia oferecer. Falou que eu provavelmente iria gostar, e achei interessante”, contou o professor em live com a professora e coordenadora da graduação, Noemi Rodriguez

 

 

Depois, ele passou a estagiar no Centro de Processamento de Dados (CPD) da universidade, e ajudou a desenvolver um programa para a simulação da operação de reservatórios de hidroelétricas. A partir dali, foi participando de outros projetos, até que… o mero interesse havia se tornado “fascínio”, como diz o próprio no artigo “História da Computação – Uma visão personalista”. No texto, o professor fala de sua trajetória profissional e da evolução da computação ao longo do tempo.

 

Formado engenheiro mecânico, von Staa conseguiu, em 1966, uma bolsa para fazer um curso de extensão em Stuttgart, na Alemanha, onde permaneceu por um ano e meio. Quando retornou ao Brasil, abraçou um dos projetos mais desafiadores de sua carreira: a fundação do DI e também do primeiro programa de pós-graduação em Informática do Brasil. 

 

Primeiros anos e carreira no DI

 

Podemos dizer que a história do departamento, que tanto se confunde com a de von Staa, teve início não em 1967, mas em 1960, quando a PUC-Rio foi escolhida para sediar o primeiro computador instalado no Brasil: o Burroughs Datatron B-205. Nos anos seguintes, a universidade começou a receber outras máquinas, como a B-200, a IBM 1130 e a IBM 7044. Todas elas foram operadas por von Staa em algum momento. 

 

Em meados de 1967, o campus da Gávea tinha o maior centro de computação científica do Brasil. Ainda no Departamento de Matemática, von Staa e demais professores, como Carlos Lucena, Antônio Furtado, Luiz Martins, Roberto Lins de Carvalho e Sérgio Carvalho, começaram a cursar um novo mestrado na universidade. Mas não só isso: eles também estavam lecionando nesse mesmo programa. 

 

Professor von Staa recebe título de emérito pela contribuição à Universidade e ao meio acadêmico. Foto: Acervo Comunicar/PUC-Rio

O professor emérito afirma que o mestrado se desenvolveu por meio de um processo conhecido como bootstrap – ou seja, desenvolver algo usando esta mesma coisa como instrumento. “Cada um tinha que ensinar alguma coisa para os demais. Por exemplo: alguém era responsável por ensinar linguagens de programação, enquanto outro tinha que transmitir os conhecimentos em sistemas operacionais, e por aí vai. Eu tive que ensinar estruturas de dados”, relembrou.

 

O DI foi criado oficialmente no final de 1967, e começou a operar formalmente em março de 1968, tendo como primeiro coordenador de pós-graduação o professor Lucena. O professor Antonio Cesar Olinto foi o primeiro diretor. Em outras ocasiões, von Staa também assumiu esses dois cargos – o primeiro por seis anos, e o segundo por dez anos. 

 

Sua vivência na PUC-Rio não parou por aí: ele também participou na criação do programa de doutorado, foi decano interino do Centro Técnico Científico (CTC), apoiou a criação do Instituto Gênesis, organizou o início do LabDI. Destacou-se por defender a existência e criação dos laboratórios temáticos, e implementou o financiamento de parte do DI com base em laboratórios temáticos. E também pelo ofício de professor dos programas de graduação e pós-graduação do departamento. Aposentou-se em 2016, e se tornou professor emérito. 

 

“Ele sempre foi um professor de excelência, principalmente em relação à formação dos alunos, que saíam de sua disciplina com competência e conhecimento muito maiores do que entraram”, testemunha o professor e amigo Marcelo Gattass. A boa relação com os estudantes é lembrada pela professora Noemi Rodriguez: “O seu comportamento cortês era muito percebido pelos alunos. Ele sempre estava interessado no trabalho deles, e era muito envolvido com cada um de seus orientados”. 

 

Paixão por programação

 

Durante o trabalho como professor do departamento, von Staa lecionou uma de suas áreas preferidas: a programação. “Ele é um excelente programador. Estava sempre desenvolvendo ferramentas, e sempre falou com uma experiência muito grande do próprio trabalho”, frisou Noemi.

 

Arndt von Staa em live com a professora e coordenadora da graduação, Noemi Rodriguez. Foto: Reprodução

Um dos programas desenvolvidos por ele foi o Talisman, um meta-ambiente de engenharia de software assistido por computador que apoia a especificação, arquitetura, projeto e desenvolvimento de software. “Foi extremamente interessante desenvolvê-lo. Levou mais ou menos cinco, seis anos de trabalho”, relatou o professor, na live com Noemi. Na mesma apresentação, ele confirmou que seu propósito era escrever programas que o ajudassem a resolver um desafio, e que se divertia com essa tarefa.

“Ele sempre procurou fazer as coisas de forma prática e rigorosa. Tinha uma certa obsessão para que os programas estivessem certos, e sempre buscou maneiras de que os profissionais formados pelo DI tivessem muita responsabilidade em seus trabalhos”, afirmou Gattass.

 

Outras passagens importantes de vida profissional de von Staa foram em 1974, quando se titulou PhD em Ciência da Computação pela Universidade de Waterloo, e em 2008, ano em que foi inscrito na Ordem do Mérito Científico e Tecnológico no grau de comendador. O professor é também membro titular da Academia Nacional de Engenharia. 

 

Ele já revelou que não gosta de escrever artigos, e que tem o vício de achar que tudo que faz se baseia em conceitos óbvios. “O que me deixa feliz é ter a impressão que, embora esteja tecnicamente obsoleto hoje, estive na frente da onda até não muito tempo atrás”, escreveu no artigo “História da Computação – Uma visão personalista”. Mais do que isso: von Staa é símbolo do DI e da história da informática no Brasil.

“Todo cidadão deveria saber programar’, diz Bruno Feijó em live

Professor acredita que programação deve fazer parte da educação básica, assim como aritmética

“Eu diria que todo cidadão teria que saber programar, assim como sabe fazer aritmética. Esse é o novo mundo. Não é só usar os gadgets, celulares e computadores, mas sim saber a essência do raciocínio computacional e da programação”. A declaração do professor Bruno Feijó, no seminário online “Jogos e Entretenimento Digital: a busca pelo profissional híbrido“, na quinta-feira (26), alerta para a necessidade de formar profissionais preparados para o novo mercado de trabalho.

Com uma trajetória pautada na interdisciplinaridade — graduação em Engenharia Aeronáutica, mestrado em Engenharia Civil e doutorado em Computer-Aided Design (desenho auxiliado por computador) — Feijó é um entusiasta de uma formação educacional híbrida e transdisciplinar. Ele inclusive é coformulador do Curso Multimídia para Ensino Médio Profissionalizante do NAVE/Oi Futuro, um dois projetos que visam a aplicação desse conceito. 

“É um ser híbrido que temos que formar. Voltei meu olhar para o Ensino Médio, participei da criação de uma experiência em que se colocava com muita intensidade a formação em computação e fiquei depois convencido de que problema ainda anterior, no Fundamental. Por isso, investi tanto tempo nessa preocupação com  a programação em si e com a educação mais básica. É essencial isso. O novo ser é um ser híbrido e transdisciplinar. E temos que criar isso na graduação ou até antes”, declarou Feijó.

Leia mais: 

‘Estamos investindo em parcerias com universidades nos EUA’, diz Endler

Furtado e Feijó destacam importância dos alunos para a pesquisa

Mograbi sobre IA reproduzir emoções: ‘Acho difícil, mas não impossível’

O pesquisador ressaltou que, mais do que interdisciplinar, se faz necessária uma educação transdisciplinar, que vá além de cada uma das áreas isoladas, sintetizando novos conceitos, rompendo as paredes entre departamentos e disciplinas, a fim de preparar as pessoas para uma nova realidade. “Isso é um conceito que eu diria que é do século XXI: transdisciplinaridade. Formar as pessoas para isso é uma prioridade, na minha opinião. Estamos caminhando para uma universidade diferente do que o imaginado já há muito tempo, com as coisas muito separadas e puras em cada um dos seus nichos”, disse. 

Feijó foi o convidado da terceira live da graduação. Organizados pela professora Noemi Rodriguez, coordenadora da graduação, os eventos online acontecem na última quinta-feira do mês, sempre às 18h. Na primeira edição Sérgio Colcher falou sobre o middleware Ginga e TV Digital 3.0. Em outubro o assunto foi a linguagem de programação Lua, com Roberto Ierusalimschy. O ciclo de seminários da graduação entra em recesso e voltará em 2021, mas todas as lives do DI estão disponíveis no nosso canal no YouTube. Confira!

‘Web-of-Data é uma outra web por trás da web’, afirma Casanova, em live

Em seminário online, professor fez um convite para a disciplina sobre Integração de Dados que vai ministrar no DI da PUC-Rio

“No início, isso tudo aqui era mato”. Essa frase recorrentemente é usada nas redes socias para falar sobre o início da internet. E foi esse “mato” o ponto de partida do professor Marco Antonio Casanova no seminário “Selected Topics on the Web-of-Data and Data Integration”, transmitido ao vivo no canal do YouTube e na página do Facebook do Departamento de Informática (DI) da PUC-Rio, na sexta-feira (25). “A história da web começou há 41 anos. Desde o instante zero, tudo na web é baseado em padrões, e isso é extremamente importante”, disse.

 Na primeira parte da palestra, Casanova falou sobre a história de Web-of-Data, dando ênfase na ideia de que se pode taguear as páginas da web com RDF (Resource Description Framework), que é apropriado para isso. “Na verdade, Web-of-Data é uma outra web por trás da web que a gente está acostumada a ver, e que descreve dados”, afirmou o professor, que também deu exemplos de keyword search para mostrar como começar a trabalhar com RDF diretamente.

Casanova também abordou a integração de dados e apontou os problemas relacionados. “O problema de integração de dados está no cerne da Ciência de Dados”, alertou.  Ele falou sobre questões como schema alignment, criação de ontologia de domínio, extração de dados e datafusion, entre outras. Antes de encerrar e abrir para perguntas, o professor fez um convite para todos participarem de seu curso de Integração de Dados no próximo semestre, e brincou: “A boa notícia é que vocês não vão ter que me escutar, quem dá as aulas são os próprios alunos, eu simplesmente tento organizar um pouco o material”.

Essa foi a terceira edição da série de lives do DI. Na estreia, o professor Hélio Lopes falou sobre Ciência de Dados, ressaltando a importância de se falar a língua dos dados atualmente. No dia 18, Edward Hermann apresentou sua pesquisa, que impressionou o mundo da computação, e contou que foi preciso aliar as ciências exatas e humanas para resolver um problema que estava há mais de 40 anos em aberto na computação. Não perca as próximas lives: se inscreva no canal do DI e ative o lembrete!