Parcerias do DI com empresas são destaque no Valor Econômico

Em reportagem, o diretor do DI Markus Endler falou sobre a importância de uma postura proativa para conseguir parcerias

Em reportagem na 1ª página, Markus Endler enfatiza proatividade na busca por colaborações

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O papel do Departamento de Informática (DI) no desenvolvimento de inovações tecnológicas e na criação de parcerias com o setor empresarial foi destaque no Valor Econômico nesta quarta-feira (16). A reportagem, com foto do diretor do DI, Markus Endler, saiu na primeira página do jornal. A matéria aborda ainda dois outros centros de excelência na zona sul do Rio que também desenvolvem esse tipo de iniciativa, o Tecgraf, da PUC-Rio, e o IMPA (Instituto de Matemática Pura e Aplicada).

 

Endler ressaltou que o Departamento de Informática mantém estreita colaboração com a indústria desde sua criação, em 1967. À frente do DI desde junho de 2020, o diretor buscou organizar o processo de atração de empresas parceiras, com pessoas designadas para visitá-las e explicar as competências do DI. “É uma postura mais pró-ativa”, disse. A reportagem mostrou que o DI tem entre 30 e 40 empresas parceiras atualmente, incluindo Petrobras, Mongeral, LifeMed, Nvidia e NEC. Estas parcerias já renderam investimentos de cerca de R$ 108 milhões no departamento desde 2019.

 

A matéria também destaca o trabalho do Instituto Tecgraf com empresas. O diretor, Marcelo Gattass, contou que o Tecgraf já nasceu com um contrato com a Petrobras, sendo capaz de se sustentar. O instituto tem receita anual de R$ 100 milhões, fruto de 30 contratos em andamento com empresas como Shell, GE, Rede D’Or e a própria Petrobras. Um dos projetos desenvolvidos por Gattass foi o de uma inteligência artificial, criada para a Eneva, capaz de indicar onde pode haver ocorrência de gás natural com base em sísmicas.

 

Como exemplo de resultados desse tipo de parceria do DI da PUC-Rio, a reportagem citou a linguagem de programação Lua, criada pelo DI nos anos 90, que surgiu de uma demanda da Petrobras, que precisava integrar diferentes softwares.

 

Outra instituição citada por avançar na tarefa de apresentar soluções e inovações para questões da indústria foi o Instituto de Matemática Pura e Aplicada (Impa), que tem buscado uma maior aproximação com empresas privadas e criou um centro de inovação para isso.

 

Para ler a matéria completa do Valor Econômico clique aqui.

 

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Oportunidades de Pesquisa com Inteligência Artificial é tema de live

Professor Jônatas Wehrmann discute as revoluções que tecnologias como a IA têm causado no mundo

 

A Inteligência Artificial está cada vez mais presente no cotidiano da sociedade, e são inúmeras as oportunidades de trabalho para profissionais da área. A próxima live da pós-graduação do Departamento de Informática (DI) abordará este tema. A transmissão acontece nesta sexta-feira (11), às 15h, pelo Facebook e Youtube do DI. Quem apresenta o seminário é o professor Jônatas Wehrmann, que tem grande experiência em redes neurais e deep learning.

 

“Inteligência Artificial é uma tecnologia incrivelmente útil para automatizar processos manuais ou que precisam de larga escala. Por exemplo, humanos não conseguiriam classificar todos os e-mails enviados como spam ou não. Com esses modelos, os computadores conseguem compreender o conteúdo de texto, imagens, vídeo e áudio, e usá-lo para realizar quase qualquer tarefa, como classificação, sumarização, descrição, e até geração. Ou seja, hoje podemos criar até música através da IA”, destaca Wehrmann, que ocupa no DI o cargo “Professor Fundação Behring de Inteligência Artificial”. 

 

E os usos da Inteligência Artificial não se restringem a isso. “Existem várias aplicações desse tipo de automação na área médica também, como auxílio no diagnóstico de doenças por imagens ou exames de laboratório”, completa o professor.

 

Wehrmann já trabalhou em projetos com empresas como Motorola, Shell, Samsung, Kunumi e OSF Global Services, além de ser vencedor de três Prêmios de Pesquisa da América Latina do Google. 

 

Venha assistir e participar do seminário com suas dúvidas e comentários! Clique aqui para acompanhar. E fique ligado na nosso canal do YouTube: youtube.com/dipucrio. Inscreva-se e ative o lembrete!

 

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Perfil: Arndt von Staa é um dos pioneiros na computação no Brasil

Professor emérito e um dos fundadores do DI é apaixonado por programação 

 

Hoje é dia de conhecer mais a trajetória de um dos grandes pesquisadores do DI. Vamos apresentar o perfil do professor emérito Arndt von Staa. Confira!

 

Um interesse que surgiu “por acaso”. É dessa forma que o professor emérito do Departamento de Informática (DI) da PUC-Rio Arndt von Staa define o seu vínculo com a computação. Tudo começou durante a graduação em Engenharia Mecânica, cursada na própria PUC-Rio. A curiosidade despertada no jovem von Staa frutificou, e ele veio a se tornar um dos pioneiros da área de computação no Brasil, e também um dos fundadores do departamento.

 

“No segundo semestre do segundo ano (em 1962), eu não tinha nada para fazer à tarde. Um dia, o Padre Amaral, então coordenador do curso de Engenharia da PUC-Rio, apareceu no corredor e me contou do curso de programação que a universidade ia oferecer. Falou que eu provavelmente iria gostar, e achei interessante”, contou o professor em live com a professora e coordenadora da graduação, Noemi Rodriguez

 

 

Depois, ele passou a estagiar no Centro de Processamento de Dados (CPD) da universidade, e ajudou a desenvolver um programa para a simulação da operação de reservatórios de hidroelétricas. A partir dali, foi participando de outros projetos, até que… o mero interesse havia se tornado “fascínio”, como diz o próprio no artigo “História da Computação – Uma visão personalista”. No texto, o professor fala de sua trajetória profissional e da evolução da computação ao longo do tempo.

 

Formado engenheiro mecânico, von Staa conseguiu, em 1966, uma bolsa para fazer um curso de extensão em Stuttgart, na Alemanha, onde permaneceu por um ano e meio. Quando retornou ao Brasil, abraçou um dos projetos mais desafiadores de sua carreira: a fundação do DI e também do primeiro programa de pós-graduação em Informática do Brasil. 

 

Primeiros anos e carreira no DI

 

Podemos dizer que a história do departamento, que tanto se confunde com a de von Staa, teve início não em 1967, mas em 1960, quando a PUC-Rio foi escolhida para sediar o primeiro computador instalado no Brasil: o Burroughs Datatron B-205. Nos anos seguintes, a universidade começou a receber outras máquinas, como a B-200, a IBM 1130 e a IBM 7044. Todas elas foram operadas por von Staa em algum momento. 

 

Em meados de 1967, o campus da Gávea tinha o maior centro de computação científica do Brasil. Ainda no Departamento de Matemática, von Staa e demais professores, como Carlos Lucena, Antônio Furtado, Luiz Martins, Roberto Lins de Carvalho e Sérgio Carvalho, começaram a cursar um novo mestrado na universidade. Mas não só isso: eles também estavam lecionando nesse mesmo programa. 

 

Professor von Staa recebe título de emérito pela contribuição à Universidade e ao meio acadêmico. Foto: Acervo Comunicar/PUC-Rio

O professor emérito afirma que o mestrado se desenvolveu por meio de um processo conhecido como bootstrap – ou seja, desenvolver algo usando esta mesma coisa como instrumento. “Cada um tinha que ensinar alguma coisa para os demais. Por exemplo: alguém era responsável por ensinar linguagens de programação, enquanto outro tinha que transmitir os conhecimentos em sistemas operacionais, e por aí vai. Eu tive que ensinar estruturas de dados”, relembrou.

 

O DI foi criado oficialmente no final de 1967, e começou a operar formalmente em março de 1968, tendo como primeiro coordenador de pós-graduação o professor Lucena. O professor Antonio Cesar Olinto foi o primeiro diretor. Em outras ocasiões, von Staa também assumiu esses dois cargos – o primeiro por seis anos, e o segundo por dez anos. 

 

Sua vivência na PUC-Rio não parou por aí: ele também participou na criação do programa de doutorado, foi decano interino do Centro Técnico Científico (CTC), apoiou a criação do Instituto Gênesis, organizou o início do LabDI. Destacou-se por defender a existência e criação dos laboratórios temáticos, e implementou o financiamento de parte do DI com base em laboratórios temáticos. E também pelo ofício de professor dos programas de graduação e pós-graduação do departamento. Aposentou-se em 2016, e se tornou professor emérito. 

 

“Ele sempre foi um professor de excelência, principalmente em relação à formação dos alunos, que saíam de sua disciplina com competência e conhecimento muito maiores do que entraram”, testemunha o professor e amigo Marcelo Gattass. A boa relação com os estudantes é lembrada pela professora Noemi Rodriguez: “O seu comportamento cortês era muito percebido pelos alunos. Ele sempre estava interessado no trabalho deles, e era muito envolvido com cada um de seus orientados”. 

 

Paixão por programação

 

Durante o trabalho como professor do departamento, von Staa lecionou uma de suas áreas preferidas: a programação. “Ele é um excelente programador. Estava sempre desenvolvendo ferramentas, e sempre falou com uma experiência muito grande do próprio trabalho”, frisou Noemi.

 

Arndt von Staa em live com a professora e coordenadora da graduação, Noemi Rodriguez. Foto: Reprodução

Um dos programas desenvolvidos por ele foi o Talisman, um meta-ambiente de engenharia de software assistido por computador que apoia a especificação, arquitetura, projeto e desenvolvimento de software. “Foi extremamente interessante desenvolvê-lo. Levou mais ou menos cinco, seis anos de trabalho”, relatou o professor, na live com Noemi. Na mesma apresentação, ele confirmou que seu propósito era escrever programas que o ajudassem a resolver um desafio, e que se divertia com essa tarefa.

“Ele sempre procurou fazer as coisas de forma prática e rigorosa. Tinha uma certa obsessão para que os programas estivessem certos, e sempre buscou maneiras de que os profissionais formados pelo DI tivessem muita responsabilidade em seus trabalhos”, afirmou Gattass.

 

Outras passagens importantes de vida profissional de von Staa foram em 1974, quando se titulou PhD em Ciência da Computação pela Universidade de Waterloo, e em 2008, ano em que foi inscrito na Ordem do Mérito Científico e Tecnológico no grau de comendador. O professor é também membro titular da Academia Nacional de Engenharia. 

 

Ele já revelou que não gosta de escrever artigos, e que tem o vício de achar que tudo que faz se baseia em conceitos óbvios. “O que me deixa feliz é ter a impressão que, embora esteja tecnicamente obsoleto hoje, estive na frente da onda até não muito tempo atrás”, escreveu no artigo “História da Computação – Uma visão personalista”. Mais do que isso: von Staa é símbolo do DI e da história da informática no Brasil.

DI abre inscrições para mestrado e doutorado em Informática 

Foto: Freepik

Primeira pós-graduação stricto sensu brasileira da área tem conceito máximo da Capes; inscrições podem ser feitas até 18 de junho

Você tem interesse em seguir carreira na área de computação e deseja ingressar em um dos cursos de pós-graduação stricto sensu mais prestigiados do país? Então aproveite a oportunidade, pois as inscrições para o mestrado e doutorado em Informática pela PUC-Rio estão abertas. As aplicações podem ser feitas até o dia 18 de junho de 2021 pela página de processo seletivo para pós-graduação no site da Coordenação Central de Planejamento e Avaliação (CCPA) da PUC-Rio. 

O resultado será divulgado até o dia 16 de julho de 2021, e a data de início das aulas do segundo semestre será divulgada em breve no calendário da PUC-Rio. Pelo menos neste ano, as aulas ocorrerão de forma online. O programa oferece bolsa de fomento ou bolsa de isenção total aos candidatos mais bem avaliados no processo seletivo. 

Segundo o coordenador da pós-graduação, Marcos Kalinowski, o mestrado e o doutorado em Informática do Departamento de Informática (DI) da PUC-Rio abrem portas tanto para a carreira acadêmica quanto para o mercado de trabalho. “Os egressos da pós-graduação do DI normalmente se tornam pesquisadores de referência, empreendedores, ou então são absorvidos por empresas internacionais de referência que valorizam uma formação de ponta, como Amazon, Facebook, Google, IBM Research, Microsoft Research, entre outras”, disse. 

O programa de pós-graduação do DI da PUC-Rio tem sua excelência reconhecida por pesquisadores e instituições nacionais e internacionais, bem como por órgãos dos ministérios de Ciência e Tecnologia e da Educação que avaliam os pesquisadores e os programas de pós-graduação do Brasil.  

Fundado em 1967, este foi o primeiro programa de pós-graduação stricto sensu na área de Computação no Brasil. Também foi o primeiro da área a obter a nota máxima (7) na avaliação da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) e sempre manteve o conceito desde a implantação do sistema atual de avaliação. “Ao longo dos anos, o DI tem inovado e mantido seu perfil de excelência em pesquisa e na formação de recursos humanos”, disse Kalinowski, que também atua na pós-graduação como orientador na área de Engenharia de Software.

O quadro de docentes é composto por 21 professores, cuja grande maioria é bolsista de produtividade do CNPq. O programa também conta com a colaboração dos professores eméritos do DI Antônio Furtado e Clarisse de Souza.

Diversas áreas contemplam a pós-graduação em Informática, entre elas: bancos de dados; ciência de dados; computação gráfica; engenharia de software; hipertexto e multimídia; interação humano-computador; linguagens de programação; otimização e raciocínio automático; redes de computadores e sistemas distribuídos; e teoria da computação. Cada área abrange diferentes linhas de pesquisa, como jogos e entretenimento digital; visualização 3D, computação móvel, bioinformática e inteligência artificial, entre outras. 

Como se inscrever?

Os interessados no mestrado e no doutorado em informática do DI devem entregar a documentação de inscrição requerida, que consiste em: 

  • diploma de Nível Superior; 
  • currículo atualizado;
  • duas ou mais cartas de referências, que devem ser preenchidas pelos professores indicados na inscrição através do site;
  • e formulários de inscrição preenchidos online através do site.

Além disso, o processo seletivo pede uma documentação adicional obrigatória aos candidatos ao doutorado, que consiste no plano de pesquisa pré-aprovado pelo orientador pretendido. O orientador deve integrar o quadro de docentes permanentes do Programa de Pós-Graduação do DI. 

Outro documento adicional e fortemente recomendado é o exame do POSCOMP, organizado anualmente pela Sociedade Brasileira de Computação (SBC). A realização do POSCOMP não é obrigatória, mas é indicada para candidatos que sejam: graduados em outra área, que não a de Ciência da Computação ou Informática; graduados em instituição de ensino superior estrangeira; ou que queiram confirmar ou reforçar seu perfil acadêmico. No caso da pós-graduação stricto sensu do DI, o candidato que realizou qualquer edição anterior do POSCOMP pode anexar o seu resultado.

Todos os aprovados devem confirmar a sua vinda para o programa de Pós-Graduação do DI entre os dias 19 a 23 de julho de 2021, entregar a documentação na Diretoria de Admissão e Registro (D.A.R.) da PUC-Rio e realizar sua matrícula conforme indicado no calendário da PUC-Rio

Mais informações sobre as inscrições e o processo seletivo estão disponíveis no edital do programa.

DI cria grupo para debater ética na informática

Foto: Pixabay

O objetivo é propor um olhar ético no desenvolvimento de tecnologias 

Você já deve ter se deparado com aplicativos que usaram os seus dados para entregar propagandas, ou com softwares que utilizam a inteligência artificial para reconhecer o seu rosto em uma foto. Mas você já parou para pensar se essas situações, aparentemente corriqueiras, exigem uma discussão quanto à sua conduta ética? 

A resposta é sim, e esse debate precisa ser cada vez mais frequente na sociedade. Pensando em ampliar essa questão, o Departamento de Informática da PUC-Rio (DI) criou o grupo Valores Humanos e Ética na Informática (VHEI), formado pelos professores Markus Endler, diretor do DI, Daniel Schwabe, Clarisse Sieckenius de Souza, Edward Hermann Haeusler, Marcos Kalinowski, Sérgio Lifschitz, Simone Barbosa, Anderson Silva e Julio Leite

“A proposta inicial é que nós tenhamos, dentro do DI, um núcleo de pessoas que estão voltadas, interessadas e ativas nesse questionamento ético constante”, afirmou a professora emérita do DI Clarisse de Souza. “Gostaríamos de imprimir uma conduta ética em relação ao desenvolvimento de tecnologia como parte da formação dos nossos alunos”, complementou.

Algoritmos: mocinhos ou vilões?

Algoritmos mal concebidos, modelos de Inteligência Artificial enviesados e o desenvolvimento de software, em geral, são temas discutidos pelo grupo, que surgiu em abril de 2020 como resposta a um impulso na forma de alerta dado ao colegiado do Departamento pelo professor titular do DI Daniel Schwabe. 

Na ocasião, Schwabe lembrou que atualmente softwares e algoritmos podem ter impactos graves sobre as nossas vidas, ressaltando que a ética deveria ser uma disciplina central, que permeasse toda a formação do cientista e do engenheiro da computação.

“Por exemplo: você pode ter um algoritmo que usa o gênero de um usuário para tomar alguma decisão. Mas será que isso é ético? Será que isso tem uma boa intenção? Pode até ter, mas corre riscos de essa intenção não ter sido colocada explicitamente”, disse o professor. 

“A partir dali, saiu o primeiro alerta: os nossos alunos precisam entender que os processos que envolvem os sistemas computacionais vão, necessariamente, envolver esse tipo de questões envolvendo ética e valores”, completou. 

Endler alertou para a programação dos algoritmos que é feita por uma pessoa que muitas vezes não previu todos os possíveis usos da ferramenta. Para ilustrar o debate ético que envolve essa questão, o diretor do DI citou um exemplo muito comum: a solicitação de um empréstimo bancário. 

“Nesse caso, o banco consulta a sua ficha cadastral e tem acesso ao seu histórico de transações e de pagamentos, tudo graças a um algoritmo. Esses números vão ser os responsáveis por dizer que alguém tem, ou não, direito a esse empréstimo. Pode acontecer de uma pessoa idônea ter o seu direito negado porque cometeu um pequeno deslize lá atrás, mas o sistema não vai reconhecer isso, nem levar esse caso em consideração”.

Olhar para dentro antes de olhar para fora

Além de discutir a ética no processo de concepção, desenvolvimento e no uso de sistemas de informação e de software em geral, o grupo também discute os princípios éticos relativos ao próprio DI, dentre eles, as regras de conduta dos professores, pesquisadores e alunos do departamento. 

O intuito é que as dimensões tratadas e discutidas no grupo devam refletir os princípios e os valores que norteiam o convívio harmonioso, colaborativo e socialmente empático da nossa comunidade. 

“Nós temos que ter mais consciência do nosso comportamento enquanto pessoas, no que diz respeito à nossa atuação profissional. Dentro dessa esfera, temos que entender qual é o código de ética que queremos adotar”, disse Schwabe.  

Endler explicou que a ideia é expandir as discussões do grupo para outras áreas e ampliar o debate para o restante da universidade e, também, para a sociedade. “Esse é um processo que vai levar tempo, mas essa é só a semente”, disse.  

Uma questão multidisciplinar 

A questão da ética dentro da tecnologia vai além do Departamento de Informática e conversa com outras áreas. Clarisse, por exemplo, coordena o EMAPS (Ética e Mediação Algorítmica de Processos Sociais), grupo criado em conjunto com professores e alunos dos departamentos de Filosofia e de Direito da PUC-Rio. “A proposta era ter um grupo interdisciplinar para discutir questões de ética dentro de qualquer processo social que fosse mediado por algoritmos”, afirmou. 

O professor do Departamento de Filosofia da PUC-Rio, Edgar Lyra, é um dos integrantes do EMAPS, e estimula o intercâmbio entre as áreas. “A tecnologia precisa ser discutida, porque ela está alterando todo o nosso ethos, costumes, horizontes, desejos e expectativas”, disse. 

Lyra também defende que a junção da ética, da tecnologia e da filosofia contribui com a formação das subjetividades e com a moldagem dos comportamentos, dos desejos e da percepção que as pessoas têm dos seus deveres e direitos. “Não podemos mais agir como meros usuários das novas tecnologias. Precisamos pensar no que está acontecendo ao redor, e a filosofia contribui fortemente para esse papel”, concluiu.