‘Queremos trazer avanços para a nova geração de TVs’, diz Colcher em live

Foto: Reprodução/YouTube

Seminário destacou projetos atuais do laboratório do DI TeleMídia

Os Núcleos de Inovação Tecnológica (NITs) do Departamento de Informática (DI) da PUC-Rio são reconhecidos pela excelência em inovação, pesquisa e parcerias com a indústria. Dentro da universidade, já foram publicados diversos trabalhos que mostram o alcance nacional e internacional dos projetos – entre eles, os desenvolvidos no TeleMídia, laboratório coordenado pelo professor Sérgio Colcher. Essa trajetória de sucesso foi apresentada por Colcher na live “Pesquisa e Desenvolvimento no Laboratório TeleMídia”, realizada na última sexta-feira (9).  

A primeira parte da apresentação foi dedicada à história do laboratório do DI, fundado pelo professor Luiz Fernando Gomes Soares na década de 1990. O “embrião” do TeleMídia surgiu ainda em 1979, quando a Embratel e o CPqD da Telebrás iniciaram um projeto para a construção de uma rede comutada por pacotes, conhecida como REXPAC (Rede Experimental de Pacotes). Um dos objetivos desse trabalho era desenvolver uma central para essa rede, e duas universidades brasileiras foram escolhidas para a missão: a PUC-Rio e a USP.

A partir daí, nasceu a Redpuc, que dava suporte à concepção distribuída das centrais, e que tinha os professores Daniel Menasce e Luiz Fernando Gomes Soares à frente. Na live, Colcher explicou o caminho da Redpuc até o início das atividades do TeleMídia. 

“O TeleMídia começou voltado para pesquisas na área de redes de computadores. Com o passar do tempo, passamos a pesquisar as áreas de sistemas multimídia, hipermídia e, mais recentemente, de aprendizado de máquina”, disse Colcher.

O professor também destacou um dos principais trabalhos do laboratório, em conjunto com outros grupos de pesquisa: o desenvolvimento do middleware Ginga-NCL, que é uma camada de software que funciona entre os aplicativos e o sistema operacional das TVs. O Ginga foi ganhando visibilidade nos órgãos de padronização, a ponto de se tornar o ambiente declarativo do middleware do padrão brasileiro de TV digital terrestre, em 2007, e de obter a Recomendação ITU-T H.761 para serviços IPTV, em 2009. Foi o que fez dele um padrão totalmente brasileiro aceito mundo afora. 

Na live, Colcher também discorreu sobre o desenvolvimento da linguagem NCL (Nested Context Language), criada no laboratório, e que serviu de base para a criação do Ginga, também sobre a interatividade no sistema brasileiro de TV digital até se chegar aos modelos atuais.

Pesquisas e projetos atuais

Colcher jogou luz aos trabalhos que estão sendo desenvolvidos atualmente no TeleMídia. Caso da área de atuação mais recente do laboratório, que é o machine learning. “A gente tem começado a colocar novas formas de entender o vídeo em nossos sistemas”, explicou. 

Dentre os projetos baseados em machine learning, o professor sublinhou três diferentes aplicações de datasets: um que ajuda a detectar cenas impróprias em vídeos educacionais, outro que atua na melhoria da qualidade de imagens de vídeos, e um terceiro que detecta placas de veículos nacionais. Outro ponto ressaltado foi a atuação dos chatbots, dos mecanismos de reconhecimento facial e de vídeo 360. 

A longeva parceria com empresas e institutos também foi citada, como as cooperações com o banco BTG Pactual, a Fiocruz e o INCA. Ao final da live, o professor respondeu perguntas dos espectadores. 

Ele falou sobre o futuro do TeleMídia, e da meta de trazer avanços tecnológicos para as novas gerações de televisores. Colcher encerrou com uma bela homenagem ao professor Luiz Fernando Gomes Soares, fundador do laboratório, que morreu em 2015. 

A live “Pesquisa e Desenvolvimento no Laboratório TeleMídia” integra o ciclo de seminários da pós-graduação, que ocorrem todas as sextas-feiras, às 15h, no canal do YouTube do DI, com transmissão simultânea ao Facebook. Inscreva-se no canal e fique por dentro das próximas apresentações!

Leia também: Por Dentro do DI: TeleMídia trabalha com sistemas multimídia e hipermídia

Sérgio Colcher apresenta trabalho desenvolvido no TeleMídia em live 

Coordenador do laboratório mostrará resultados de pesquisas recentes

Nesta sexta-feira (9), às 15h, o professor do Departamento de Informática (DI) Sérgio Colcher apresentará a live “”Pesquisa e desenvolvimento no Laboratório TeleMídia”. A palestra será transmitida ao vivo pelo canal do DI no YouTube e pela página do Facebook

Colcher é coordenador do TeleMídia, um dos Núcleos de Inovação Tecnológica do DI. O laboratório se dedica à pesquisa e à inovação de sistemas hipermídia/multimídia, multimídia em rede e aprendizado de máquina. 

Segundo o professor, a apresentação será focada no trabalho desenvolvido no laboratório e nos projetos em andamento. “Vou contar a história do laboratório e falarei sobre as nossas pesquisas atuais”, promete Colcher. 

O foco do TeleMídia tem sido na análise de sentimentos em conteúdo multimídia, além da compressão e codificação de imagens e vídeo, novos cenários de TV e de mídia imersiva, e aplicação de técnicas de aprendizado de máquina aos domínios de TV Digital Interativa.

A live faz parte da série de seminários on-line da pós-graduação do DI. Você pode assistir à palestra no canal do DI no YouTube, com transmissão simultânea no Facebook. E pode, inclusive, participar do seminário, enviando perguntas pelo chat. Inscreva-se e ative o lembrete para não perdê-la!

Desenvolvimento de sistemas nativos de nuvem é tema de live da graduação

Maria Julia Dias de Lima. Foto: Arquivo pessoal

Nesta quinta (8), série recebe a gerente de projetos do Tecgraf Maria Julia Dias de Lima 

Para dar continuidade à série de lives da graduação, o YouTube e o Facebook do Departamento de Informática (DI) vão transmitir, nesta quinta-feira (8), às 18h, a palestra “Desenvolvimento de Sistemas Nativos de Nuvem pelo Tecgraf”, com a gerente de projetos do Instituto Tecgraf Maria Julia Dias de Lima. A apresentação será conduzida pela coordenadora de graduação do DI, Noemi Rodriguez.

Maria Julia vem liderando projetos na área há quase 20 anos. A professora falará da sua atuação em desenvolvimento de sistemas, do desafio de se manter uma equipe atualizada em relação à evolução tecnológica e dos projetos elaborados por seu grupo no Instituto Tecgraf. “Falaremos sobre os projetos que desenvolvemos com tecnologias de sistemas distribuídos e padrões arquiteturais, que se beneficiam de infraestruturas elásticas, como é o caso típico da nuvem”, ela antecipa. 

Durante o bate-papo, Maria Julia vai explicar como se dá a colaboração com professores do DI, e contar das adaptações feitas no sistema de trabalho durante este período de pandemia da Covid-19. “O grupo liderado pela Julia tem um nível técnico muito alto, mantendo-se atualizado através de estudos e da sua interação com a pesquisa realizada no Departamento de Informática”, diz Noemi. 

Os seminários da graduação ocorrem duas vezes por mês. A segunda quinta-feira do mês será dedicada a um profissional atuante no mercado de desenvolvimento de software – como é o caso de Maria Julia. Já a última quinta será a vez de receber um professor do DI, que compartilhará sua experiência profissional. No mês passado, o professor emérito Arndt von Staa participou do bate-papo.

Para não ficar de fora e acompanhar os seminários da graduação, inscreva-se no nosso canal no YouTube e ative o lembrete! E não se esqueça que todas as lives também são transmitidas ao vivo pela nossa página no Facebook!

‘Meu interesse pela computação foi por acaso’, diz Arndt von Staa em live

Professor emérito do DI participou de seminário da graduação e contou sobre sua trajetória, fundação do DI e mais

Não dá para imaginar o Departamento de Informática (DI) da PUC-Rio sem a presença do professor emérito Arndt von Staa, que foi um dos responsáveis por fundá-lo. Mas por pouco ele não seguiu outros caminhos profissionais. Formado em Engenharia Mecânica, o seu interesse pela computação ocorreu “por acaso”, como o próprio disse na live “História da Computação – Uma visão personalista”, que aconteceu nesta quinta-feira (25) no YouTube do DI. “Fiz um curso de programação na PUC-Rio e achei interessante. (…) Continuei trabalhando com computação e estou aqui até hoje”, contou. 

Durante a live conduzida pela coordenadora de graduação Noemi Rodriguez, o professor respondeu a perguntas sobre a sua trajetória profissional em empresas, o seu trabalho acadêmico na PUC-Rio e também sobre sua atuação na área de computação e de desenvolvimentos de softwares. 

Um dos programas desenvolvidos por ele foi o Talisman, um meta-ambiente de engenharia de software assistido por computador que apoia a especificação, arquitetura, projeto e desenvolvimento de software. “Foi extremamente interessante desenvolvê-lo. Levou mais ou menos cinco, seis anos de trabalho”, disse. 

A sua paixão pela programação foi outro ponto abordado na apresentação. Noemi lembrou que ele sempre deu a impressão de se divertir durante o desenvolvimento de programas. “Certamente eu adorava programar. (…) Minha esposa reclamava que eu ia jantar e depois voltava a programar”, brincou o professor, que também disse que o seu propósito era escrever programas que o ajudassem a resolver um desafio. “Eu gostava de resolver problemas que não tinham solução, ou que tinham uma solução mal acabada”, disse.

Fundação do DI

O professor também falou sobre o seu papel na fundação do DI e do programa de Mestrado em Informática da PUC-Rio, o primeiro da área no Brasil. Ambos foram criados entre 1967 e 1968, e envolvem outros personagens célebres da história do nosso departamento, como os professores Carlos Lucena, Antonio Furtado, Sérgio Carvalho, Roberto Lins de Carvalho e Luiz Martins. 

Segundo von Staa, o mestrado se desenvolveu por meio de um processo conhecido como bootstrap – ou seja, desenvolver uma coisa usando esta mesma coisa como instrumento. 

“Cada um tinha que ensinar alguma coisa para os demais. Por exemplo: alguém era responsável por ensinar linguagens e programação, enquanto outro tinha que transmitir os conhecimentos em sistemas operacionais, e por aí vai. Eu tive que ensinar estruturas de dados”, contou.

Durante a conversa, ele confessou que achou a primeira turma de pós-graduação um pouco “capenga”, por conta da pequena bagagem de pesquisa dele e dos demais pesquisadores. Porém, não há como negar: a partir dali, o programa se desenvolveu e se tornou o que é hoje. “Parece que funcionou, porque vários daqueles alunos se tornaram conhecidos no mundo da computação. Dali para frente, foi só evolução”, disse o professor, que também já foi diretor do departamento. 

Além disso, von Staa também contou histórias curiosas sobre sua trajetória acadêmica na PUC-Rio, como o ensino de computação na graduação para os alunos do CTC. Em dado momento, ele precisou assumir uma turma de 200 alunos. As aulas eram dadas nos auditórios do departamento de Química. “Tinha gente sentada nas escadas, porque não cabia todo mundo”, lembrou. 

Ao final da live, von Staa respondeu a perguntas do público, falando sobre a sua visão sobre a programação atual e sobre sua participação no Instituto Gênesis, voltado ao desenvolvimento de empreendimentos e de empreendedores. 

Você pode assistir à apresentação completa aqui. Fique ligado no nosso canal do YouTube, que recebe neste período uma série de seminários mensais da graduação, e uma série de lives semanais da pós-graduação!

Alberto Raposo apresenta live sobre computação visual inteligente

Transmissão será na sexta (19), às 15h, no YouTube do DI, e professor apresentará resultados de pesquisas do Tecgraf

Nesta sexta-feira (19), às 15h, o professor do Departamento de Informática (DI) Alberto Raposo apresentará a live “Desafios e oportunidades em computação visual inteligente”. Raposo falará das pesquisas realizadas pelo Grupo de Realidade Virtual e Aumentada do Instituto Tecgraf sobre a chamada computação visual inteligente. Os trabalhos fazem uso de inteligência artificial para aumentar o potencial de aplicações da computação visual. A palestra será transmitida ao vivo pelo canal do DI no YouTube e na página do Facebook

Segundo o professor do DI, essa é uma área que tem sido cada vez mais usada na engenharia, saúde, indústria, educação e por governos, inclusive no setor militar. “A pesquisa em computação visual apresenta inúmeras oportunidades e desafios decorrentes do seu uso cada vez mais amplo”, afirma. 

Ainda de acordo com Raposo, o cenário se assemelha ao da área de inteligência artificial em termos de possibilidades e dificuldades. “Por exemplo, técnicas de aprendizado de máquina têm revolucionado a área de visão computacional, pela sua capacidade de reconhecer e classificar características ou objetos da imagem, assim como acontece com o processamento avançado de geometrias 3D”, explica.

A live faz parte da série de seminários on-line da pós-graduação do DI, que tem como objetivo aproximar a sociedade dos resultados de pesquisas e desenvolvimento do Departamento. Você pode acompanhar a apresentação no canal do DI no YouTube, com transmissão simultânea no Facebook. Inscreva-se e ative o lembrete para não perdê-la!

Painel ‘Mulheres na Computação’ debate presença feminina na área

Foto: Reprodução/YouTube

Organizada pelo CAINF, live teve participação da professora emérita do DI Clarisse de Souza

Lugar de mulher é onde ela quiser – inclusive na área da computação. Em homenagem ao Dia Internacional da Mulher, comemorado em 8 de março, o Centro Acadêmico de Informática da PUC-Rio (CAINF) organizou o painel “Mulheres na Computação”, que contou com a participação da professora emérita do Departamento de Informática (DI) Clarisse Sieckenius de Souza e da desenvolvedora front-end e streamer Laura Grassi. A conversa, em formato de live, foi realizada na última sexta-feira (12), e está disponível no canal do DI no YouTube. A moderação foi da aluna de Ciência da Computação e conselheira do CAINF Ana Carolina da Hora, também conhecida como Nina da Hora.  

As participantes falaram sobre a presença de mulheres na área de computação, tanto no mercado de trabalho, quanto na academia. Na visão de Clarisse e Laura, este percentual feminino ainda é baixo. A professora emérita do DI contou que as últimas turmas para as quais deu aula, antes de se aposentar, no início de 2020, tinham “uma ou duas mulheres” e mais de 20 homens. 

Para ela, houve uma grande mudança no perfil dos estudantes nas últimas três décadas. “Quando ingressei no DI, em 1988, a turma era constituída por metade de homens e metade de mulheres”, contou Clarisse, que já teve muitas orientandas. Ela disse que ao migrar de área de estudo – foi de Inteligência Artificial para Interação Humano-Computador (IHC) – encontrou maioria feminina, diferentemente do que se vê hoje. 

Laura disse que trabalha entre homens. “Eu nunca tive a chance de trabalhar com uma mulher próxima, seja na mesma área ou em cargos de gestão e diretoria”, apontou a desenvolvedora front-end. A situação não foi diferente na graduação: em uma turma com 90 alunos, 85 eram homens. Doze se formaram, sendo Laura a única mulher. 

A desistência de meninas durante o curso foi outro ponto comentado pelas participantes. Entre os aspectos que podem influenciar este abandono, elas mencionaram o ensino rígido de computação, a dificuldade para se encontrar estágios e também a ideia equivocada de que mulheres não têm performance tão boa quanto homens nesta área do conhecimento.

Elas reforçaram a importância de uma inserção feminina cada vez maior. “Sei que existem muitos estereótipos, mas a gente pode mudar isso”, frisou Laura. “É uma questão de trazer mais gente e mais talentos”, pontuou Clarisse. Nina, por sua vez, destacou que a presença de grupos formados por mulheres dentro das universidades dá uma maior sensação de segurança a quem chega, e estimula as alunas a seguir adiante.

Participantes falaram sobre carreira e experiências

Na live, Clarisse e Laura relembraram suas trajetórias profissionais. A professora emérita é graduada, mestre e doutora em Letras. No início da carreira, seu objetivo era trabalhar com tradução e interpretação de conferências. A relação com a computação aconteceu por acaso, após trabalhar como intérprete em programas de treinamento de informática. Veio daí o interesse por este novo universo. Ela fez então doutorado em Linguística Computacional, e migrou definitivamente para a computação em 1988. Foi quando ingressou no corpo docente do DI, onde trabalhou por mais de 30 anos, especializando-se em IHC. 

A professora também falou da inclusão de seu nome na lista de 54 Mulheres Notáveis da Computação Mundial, criada em 2014 pelo Instituto Anita B.org e pela Associação de Pesquisa em Computação Mulher (CRA-W, na sigla em inglês). O intuito de se fazer a lista foi estimular o interesse de mais mulheres nas áreas de exatas e tecnologia.

Já Laura é formada em gestão de TI e começou trabalhando como desenvolvedora back-end. Hoje, é desenvolvedora front-end e cria conteúdo na internet para auxiliar quem quer entrar na área. Sob o nome de @kibum.png, ela acumula milhares de seguidores nas redes sociais – são mais de 69 mil só no Instagram. 

Elas também responderam a perguntas dos espectadores, aprofundaram-se em aspectos de suas áreas e deram dicas para mulheres que desejam seguir carreira parecida. Assista à live completa no nosso canal do YouTube, e se inscreva para ser informado das próximas novidades!

‘Inteligência Artificial não é mágica. São programas’, diz Baffa em live 

Foto: Reprodução/Youtube

Palestra “Desmistificando a Inteligência Artificial” fez parte do evento de abertura do Curso de Graduação em Neurociências da PUC-Rio

Há quem acredite que a Inteligência Artificial (IA) é “mágica” ou que as máquinas fazem tudo sozinhas e se programam de forma autônoma. Também há quem encare a IA como uma grande ameaça à humanidade, atribuindo aos robôs o “domínio do planeta Terra”. Porém, a realidade é bem diferente. 

“Se as máquinas estão fazendo o que fazem, é porque isso era, no mínimo, esperado. Alguém já deu aquele caminho e proporcionou esse algoritmo para esse experimento”, disse o professor Augusto Baffa na live “Desmistificando a Inteligência Artificial”, apresentada nesta quinta-feira (4). A palestra fez parte do evento de abertura do Curso de Graduação em Neurociências da PUC-Rio, e está disponível no canal do DI no YouTube

Ao explicar o objetivo da live, Baffa disse que a ideia era falar sobre como a IA surgiu, contar o seu desenvolvimento e desmistificar a ideia de que as máquinas fazem “tudo” sozinhas. “Não é nada mágico. São programas com uma decisão um pouquinho mais esperta, mas ainda são, de fato, programas.”

Baffa explicou o conceito de Inteligência Artificial, que vem da junção dos dois termos, e ressaltou que existe uma certa dúvida sobre essa definição. De acordo com o professor, o termo “artificial” é fácil de definir – é aquilo que foi criado, que não é natural -, mas que existem várias formas de definir a palavra “inteligência”. 

“O que é inteligência? É se comportar como um ser humano? É se comportar da melhor forma possível? É pensar ou agir como um ser humano, da melhor forma possível?”, questionou. 

Mas na prática, segundo o professor, a IA é definida como uma área de pesquisa que tem como objetivo buscar métodos ou dispositivos computacionais que possuam ou aumentem a capacidade racional do ser humano de resolver problemas, pensar ou, de forma geral, “ser inteligente”.  

Relação entre IA e neurociência

Durante a palestra, voltada para os alunos do novo curso de graduação em Neurociências da PUC-Rio, Baffa também destacou a relação entre as duas áreas. 

Segundo o professor, a Inteligência Artificial é composta por uma série de condicionalismos, ou seja, de pequenas decisões que não precisam ser, de fato, totalmente inteligentes – mas sim pré-programadas. Dentro da linguagem de programação, usa-se o comando “if” (a condicional “se”, em português), que é responsável por tomar uma decisão. Porém, esse comando é um código de computador que é programado automaticamente, o que não o faz ser inteligente como um ser humano. 

A partir dessa explicação, Baffa trouxe algumas questões que relacionam a IA ao cérebro humano. “Será que o nosso cérebro tem esse livre-arbítrio completo, ou será que a gente tem uma predisposição biológica para tomar algum tipo de decisão? A IA seria mais ou menos dessa mesma forma”, disse.

O diretor do DI, Markus Endler, contribuiu com a parte final da palestra reforçando essa ligação entre os campos da Neurociência e Inteligência Artificial. “A IA ainda está longe de codificar as emoções, e creio que a neurociência, cada vez mais, tem dado mais importância às emoções como sendo os elementos que tornam alguns processos mais rotineiros. Por exemplo, quando a pessoa está se sentindo bem e motivada, ela faz uma coisa melhor e até grava isso melhor”, disse Endler.  

Definições de Inteligência Artificial

Outros pontos apresentados por Baffa foram as definições de Inteligência Artificial criadas pelo diretor de qualidade de pesquisa do Google, Peter Norvig, e pelo cientista da computação e professor da Universidade da Califórnia em Berkeley, Stuart Russell. 

Os autores determinaram que existem quatro linhas de pesquisas principais, que envolvem os sistemas que agem como humanos, os sistemas que pensam como humanos, os sistemas que pensam racionalmente e os sistemas que agem racionalmente. Durante a palestra, Baffa se aprofundou em cada um dos tópicos listados e em suas respectivas pesquisas. 

Ele também explicitou a grande abrangência da IA, que está associada a diversas áreas além da Neurociência, como a estatística (que cria os processos de machine learning), a linguagem (na qual são estudados o processamento de linguagem natural e o campo da linguística) e a visão computacional (que trabalha com informações visuais, como processamento visual, foto, vídeo e reconhecimento de objetos).

A segunda parte da live foi dedicada à história dos estudos e do desenvolvimento da Inteligência Artificial. Por fim, o professor destacou notícias recentes sobre o tema e respondeu às perguntas do público.

O coordenador do curso de Neurociências, Daniel Mograbi, agradeceu a participação dos professores Baffa e Endler e reforçou a parceria entre os departamentos.

DI participa de evento inaugural do novo curso de graduação da PUC-Rio

O professor Augusto Baffa é um dos palestrantes convidados do evento de abertura do curso de graduação em Neurociências 

Reconhecida pela sua excelência de ensino, a PUC-Rio começa 2021 com uma novidade: um curso de graduação em Neurociências. Para dar início às atividades, o departamento preparou, entre os dias 1º e 5 de março, uma semana de diversos eventos relacionados à proposta e à ementa do curso – e o Departamento de Informática (DI) marcará presença com uma live do professor Augusto Baffa sobre Inteligência Artificial, nesta quinta-feira (4).

Muita gente pode não se dar conta, mas os dois assuntos estão profundamente relacionados. “Um dos aspectos da Inteligência Artificial vem da psicologia e da neurociência. Na realidade, a área de IA é muito grande. Essa é uma grande ciência que estuda qualquer coisa que seja inteligente”, disse Baffa. 

No evento online, o professor do DI vai explicar a relação entre a Inteligência Artificial e a Neurociência, e mostrará notícias e vídeos para desmistificar o assunto. “Muitas pessoas encaram a Inteligência Artificial como se fosse mágica, como se a máquina estivesse pensando por conta própria. Mas não é nada disso. A máquina ainda está muito longe de pensar sozinha”, explicou Baffa. 

O coordenador do curso de Neurociências, Daniel Mograbi, crê na importância de falar sobre o tema, já que uma das tendências e perspectivas da área é a articulação de neurociências com a tecnologia. “Isso vai crescer muito nas próximas décadas, então é muito importante trazer essa perspectiva desde o início e sinalizar aos alunos que esse é o caminho.”

Mograbi, que já conhecia o trabalho de Baffa e do Departamento de Informática, também frisou a importância de convidar um especialista no tema para conversar com os alunos e interessados. “Fizemos questão de trazer uma pessoa para trocar com a gente, trazer ideias e estabelecer essa conversa”, disse Mograbi, reforçando a parceria e as relações com o DI. 

Novo curso tem ementa interdisciplinar

Lançado no Vestibular da PUC-Rio do ano passado, o curso de graduação em Neurociências começa em 2021.1. “Tivemos uma grande procura e a nossa taxa de candidato/vaga foi altíssima. Formamos a nossa primeira turma, estamos muito animados e temos muitas expectativas de crescimento”, ressaltou Mograbi. 

A ementa procura introduzir o aluno no campo das neurociências através de uma abordagem interdisciplinar, focando em áreas como Psicologia, Biologia, Química, Filosofia e Informática. No 3º período, por exemplo, os alunos poderão estudar a disciplina “Introdução à Programação”, que ajudará os estudantes a compreender uma perspectiva computacional dentro desse campo.

“Queremos formar pessoas que sejam capazes de aplicar esses conhecimentos nas mais diversas áreas. O campo de neurociências está em franca expansão e o mundo será cada vez mais impactado por esse conhecimento”, disse Mograbi.

Como assistir à palestra?

A palestra “Desmistificando a Inteligência Artificial”, do professor Augusto Baffa, faz parte do Evento de Abertura do Curso de Graduação em Neurociências da PUC-Rio e acontecerá no dia 4 de março (quinta-feira), das 10h às 11h. 

O evento será online, aberto ao público e pode ser assistido via Zoom